Um sopro de investimentos

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  • Postado em 20 de janeiro, 2012


    O grupo argentino de energia Impsa terá três novas fábricas no Brasil, com aportes de R$ 300 milhões.

    Por Marcelo CABRAL

    O argentino Jose Luis Menghini, vice-presidente da operação brasileira da Impsa, maneja com cuidado o mate enquanto prepara o chimarrão. Apesar de sua origem, ele preferia, desde que desembarcou no Brasil, o café. O problema era que exagerava, literalmente, na dose, tomando 20 xícaras por dia. O efeito colateral foi a insônia. Por esse motivo, voltou à tradicional bebida de seu país. “Agora consigo dormir de noite”, brinca, com o característico sotaque do idioma espanhol. O sono tranquilo não se deve apenas à nova bebida. Em 2012, a Impsa, um dos maiores grupos do setor elétrico na América Latina, vai abrir três novas plantas no Brasil.

    O senhor do vento: o grupo Impsa, de Menghini, fatura quase R$ 2 bilhões por ano e emprega cerca de seis mil funcionários.

    Elas vão se somar à fábrica de aerogeradores já existente no porto de Suape, na região metropolitana do Recife. Com investimentos de R$ 300 milhões, a ordem é acelerar o crescimento médio de 20% e multiplicar a carteira, hoje no patamar de R$ 3,4 bilhões. “O Brasil já representa quase 65% de nossos pedidos e deve crescer mais”, afirma Menghini. A energia eólica é um bom exemplo. Com as vitórias alcançadas nos leilões do ano passado, o grupo chegou a um portfólio de 923 megawatts (MW), que devem entrar no sistema elétrico até 2014. Desses, cerca de 530 MW já estão instalados em parques eólicos no Ceará e em Santa Catarina. A demanda adicional é uma das responsáveis pela decisão de levantar uma nova fábrica de turbinas movidas pela força dos ventos. A unidade terá capacidade para fabricar até 140 aerogeradores por ano e será instalada no Rio Grande do Sul, em cidade ainda a ser definida. As obras, um investimento de quase R$ 100 milhões, vão começar este ano e a fábrica deverá estar em operação em 2013. A unidade gaúcha ajudará a resolver o problema da logística. O transporte das imensas turbinas de Pernambuco até a região Sul encarece o custo do produto em até 22%. A nova fábrica deverá atender os parques mais próximos, enquanto Suape ficará encarregada de abastecer as regiões Norte e Nordeste. A Impsa aposta pesado na energia eólica, que hoje representa menos de 2% da matriz nacional. A previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica é avançar 600% até 2014, pulando dos atuais 1,4 mil MW instalados para 7 mil MW. Ainda muito inferior à China e aos EUA, que superam os 40 mil MW. Isso mostra que o campo para crescimento é vasto, segundo o advogado especialista José Roberto Martins, do escritório Trench, Rossi e Watanabe. “A energia eólica é vista como pouco competitiva, mas esse quadro está mudando com escala e tecnologia”, diz. “Hoje a eólica já tem preços comparáveis ao do gás natural.” A área de equipamentos hidrelétricos também receberá uma nova fábrica, localizada a dois quilômetros da unidade de Suape. Serão R$ 150 milhões na fabricação de turbinas e geradores. A encomenda inicial é a construção de quatro unidades completas de geração (geradores, turbinas e tubulações) para a usina de Belo Monte, no Pará. Os planos não param por aí. A terceira fábrica, também a ser instalada em 2012, ficará encarregada da chamada eletrônica de potência, os dispositivos de processamento, conversão e controle de geradores. Com investimento de R$ 30 milhões, ainda não tem seu local definido, mas a tendência é que fique em Minas Gerais – a meio caminho das unidades do Norte e Sul do grupo. Além disso, a atual unidade de aerogeradores de Suape deverá receber mais R$ 35 milhões em equipamentos e infraestrutura. Com a expansão da unidade e a nova fábrica, a capacidade instalada de produção de geradores eólicos deverá quase dobrar ante as 300 unidades por ano de 2011. Hélices de sobra para aproveitar os ventos favoráveis do mercado brasileiro.

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