Um caos fabricado nos EUA em território hondurenho

  • Português
  • English
  • Postado em 29 de janeiro, 2012


    ROBERTO SIMON – O Estado de S.Paulo

    A decisão de europeus e americanos de mirar o Banco Central do Irã abala a credibilidade do sistema financeiro internacional e torna a China um destino cada vez mais atraente ao dinheiro de países que temem retaliações, segundo Djavad Salehi-Isfahani, economista de origem iraniana e pesquisador do Brookings Institution, dos EUA. “Pequim está em posição de emergir como o banqueiro do terceiro mundo”, afirma. A seguir, a entrevista ao Estado.

    Qual será a consequência imediata, dentro do Irã, do embargo europeu?

    No curto prazo, as consequências não serão dramáticas. Provavelmente não haverá muito mais instabilidade no câmbio, pois o impacto das sanções foi absorvido na segunda-feira, quando elas foram anunciadas. Teerã aumentou em 50% sua taxa de juros. No médio prazo, o resultado pode ser duro.

    Em que sentido?

    De três formas. Primeiro, as exportações de petróleo vão cair cerca de 20%. Outro ponto é que novos investimentos estrangeiros serão cortados e, com isso, veremos um crescimento do desemprego – sobretudo entre jovens. Há outra questão, talvez a mais importante, que é o congelamento de ativos do Banco Central do Irã e as sanções contra transações financeiras.

    Esse cerco financeiro pode afetar o programa nuclear? É uma política inteligente?

    Pessoalmente, acho que o gelo aos ativos do BC é uma medida desesperada. Finanças internacionais são o lubrificante da globalização. Agora, aqueles que vêm advogando a países em desenvolvimento a mundialização como algo seguro e neutro cortam transações financeiras de um país por motivos políticos. É uma grande derrota ao sistema financeiro internacional.

    Mas há situação que se assemelhe ao cerco ao Irã?

    Pense no Egito, que acaba de eleger um Parlamento com uma ‘cara’ islâmica. Você acha que eles colocarão seu dinheiro na Europa, sabendo que, se houver alguma disputa com americanos e europeus, essas contas serão simplesmente congeladas? Ou preferirão escutar dos chineses ‘veja, temos aqui esses bancos, muitas reservas e vocês podem vir para Xangai ou Hong Kong’? Acho que haverá países com medo de decisões arbitrárias dos EUA e Europa. E eles começarão a levar seu dinheiro a outros lugares. Por isso, a China está em uma ótima posição para emergir como o banqueiro do terceiro mundo, aquele que dá apoio aos países em desenvolvimento. Pequim tem tecnologia e recursos para isso.

    O Estado de S. Paulo/AC