Três perguntas para

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Robert Munks, analista de relações internacionais e risco político na América Latina pela consultoria britânica IHS

    Por que Reino Unido e Argentina retomaram a disputa pelas Malvinas?

    Há vários motivos para a retomada dessa discussão, e um dos principais está relacionado à exploração do petróleo que está sob a ilha. A recente prospecção na região tem contribuído muito para o aumento da tensão entre os dois países. Além disso, estamos próximos ao aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas. Com isso, temos uma situação na qual, de um lado, o governo argentino insiste na discussão da soberania na ilha e, de outro, o Reino Unido usa o princípio da autodeterminação dos povos para defender sua presença por lá. Ambos os lados são inflexíveis, e estou pessimista em relação a qualquer melhora nas relações bilaterais, ao menos em curto prazo.

    A Argentina conquistou o importante apoio dos sócios do Mercosul nesse tema. Isso incomoda o Reino Unido?

    A América Latina nunca foi estrategicamente prioritária para o Reino Unido. Mas, agora, os ingleses estão querendo aumentar a presença na região, principalmente por causa do comércio. Então, acho que o governo britânico está, sim, preocupado com o crescimento da disputa verbal sobre as Malvinas e com o apoio que a Argentina tem recebido dos vizinhos.

    O senhor acredita que essa situação possa desencadear um novo conflito armado pelo controle do arquipélago?

    Não. Muitas pessoas têm falado sobre essa possibilidade, mas há poucas razões para que isso aconteça. A Constituição argentina fala da disputa sobre as Malvinas de forma pacífica, e isso significa negociação. Além disso, os limites das forças militares argentinas são muito diferentes do que em 1982. As forças armadas pouco se modernizaram de lá para cá, enquanto o exército britânico é muito mais tecnológico. Sem falar que há novas bases militares nas ilhas, ou mesmo bases que foram colocadas lá após a guerra e impediriam um ataque aos moldes do que ocorreu há 30 anos.

    Correio Braziliense/AC



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