Um minuto com Thomas J. Trebat – Diretor do Columbia Global Center | Latin America | Rio de Janeiro e ex-Diretor Executivo do Instituto de Estudos da América Latina da Columbia University

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  • Postado em 26 de março, 2015


    Rio Negócios – Como o senhor vê a evolução do Brasil na geração de talentos (mão de obra qualificada)?

    Thomas J. Trebat – Acho que o Brasil está alcançando os países mais ricos em termos de talentos e mão de obra qualificada, o que era de se esperar, pois a brecha educacional com o resto do mundo foi muito grande.  Esta dinâmica fica clara quando olhamos os números que o Brasil tem apresentado em alunos matriculados em cursos de ensino superior.  O censo atual anda em torno de 7 milhões de pessoas (inclusive em cursos de distância) cursando ensino superior comparado com apenas 1 milhão no início dos anos 2000.

    O Brasil tem áreas de ensino de grande prestigio em ciência e tecnologia.  Posso citar a própria experiência de Columbia.  Nossos professores de engenharia, e de ciências de modo geral, tem muitos projetos de pesquisa compartilhada com colegas no Brasil e existe um intenso fluxo de brasileiros indo e voltando de Columbia nestas áreas.  No atual ano letivo, temos cerca de 50 brasileiros cursando mestrados em engenharia, e isso só em Columbia.    

    Finalmente, acho que a evolução do Brasil na geração de talentos só tende a acelerar, pois o aumento de renda e o desenvolvimento alimentam cada vez mais a propensão do investimento da família na educação dos filhos.  Pelo fato dos salários mundialmente tenderem a ser mais altos em setores da economia que privilegiam conhecimento técnico e científico, acho que uma proporção crescente dos jovens brasileiros vai ser canalizada para esse tipo de profissão, o que seria muito bom para o crescimento econômico do país futuramente.  

    RN – Qual o papel econômico do Rio de Janeiro para o Brasil?

    TJT – O papel econômico do Rio pode ser medido de diversas formas, como, por exemplo, tamanho do mercado consumidor, diversidade nas fontes de produção e de emprego, infraestrutura econômica e social, patamar elevado de nível escolar da população e outros fatores, todos apontando para a conclusão de que o Rio joga um papel econômico importante no Brasil.   Eu chamaria atenção a um outro fator importante: O Rio por si só é uma cidade que atrai pessoas qualificadas por ser um lugar agradável para se morar. Rio tem ficado atrás, porém, na retenção de talentos que acharam em SP e no resto do Brasil melhores oportunidades de avanço profissional.   Acho que nos últimos 10 anos, a cidade tem progredido no sentido de criar na empregos novos em tecnologia e pesquisa, empregos que por definição ajudam o crescimento futuro da região de Rio.

    Este processo é cumulativo. Há um dinâmica cíclica, que podemos chamar de ciclo-virtuoso: mais empresas e pessoas vindo para empregos bons no Rio acabam atraindo ainda mais pessoas e mais empregadores em áreas dinâmicas pois as empresas mais dinâmicas que geram empregos tem fortes laços de interdependência.  Finalmente, eu diria que o papel econômico do Rio para o Brasil tem uma importante dimensão psicológica.  Pelo Rio ser um centro de atenção no Brasil, o seu sucesso econômico acaba atraindo o sucesso do resto do pais, ou seja, reflete de uma forma até desproporcional sobre a imagem do pais como um todo.   

    RN – Quais são os próximos projetos do Global Center Center no Rio de Janeiro?  

    TJT – O Global Center no Rio de Janeiro tem desenvolvido diferentes projetos em colaboração com as escolas da Universidade de Columbia. Entre eles, estão:

    – Law and Economics of Securities Market Regulation: programa de treinamento de uma semana em parceria com a Law School e a Comissão de Valores Mobiliários. O público alvo serão até 30 funcionários de alto nível da CVM;

    – Global EMPA: programa de mestrado executivo em gestão pública oferecido pela School of International and Public Affairs. Com duração de 18 meses, o programa teve inicio em Janeiro 2015 e ao longo de 5 anos pretendemos formar até 100 servidores brasileiros.

    – Innovation Hub in Rio: esse projeto é uma iniciativa conjunta da cidade do Rio de Janeiro e a School of Engineering de Columbia. O polo de inovação tem como objetivo: catalisar inovações em temas como sustentabilidade, medicina personalizada, ciência de dados, materiais avançados e engenharia; desenvolver a nova geração de talentos e profissionais gerando uma transformação da indústria e sociedade do Rio de Janeiro e do país; atrair pesquisa e inovação do Brasil, de Columbia e do mundo; criar um ambiente que permita a colaboração e contato entre líderes locais e comunidades globais.

    – School of Education Project Activities: o Teachers College de Columbia propõe ampliar a longa tradição de trabalho no Brasil através de programas projetados para melhorar o ensino em escolas no Estado do Rio de Janeiro, recrutar e treinar mais brasileiros no TC em Columbia e treinar líderes educacionais.

    – Intensive Training for Brazilian Businesses: Columbia irá oferecer treinamento avançado  para um seleto público corporativo no Brasil em áreas como: gerenciamento de risco empresarial, uso de dados e tecnologia para melhorias na tomada de decisão, gerenciamento de risco climático e mitigação.



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