Soberania é questão de Estado para Argentina

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  • Postado em 22 de janeiro, 2012


    A disputa pela soberania das Malvinas é uma questão de Estado para o atual governo argentino e quase uma unanimidade nacional, suprapartidária.

    Além da proximidade geográfica -as ilhas estão a cerca de 500km da Patagônia-, os argentinos reivindicam que o Reino Unido deve se sentar para negociar a questão porque isso foi determinado pela Organização das Nações Unidas.

    Em dezembro, os argentinos receberam apoio dos outros países do Mercosul, que concordaram em não permitir que barcos com a bandeira das Falklands atracassem em seus portos.

    Isso não significa um bloqueio econômico, apenas que essas embarcações precisam trocar a bandeira pela bandeira britânica.

    O apoio brasileiro à Argentina foi confirmado pelo chanceler Antonio Patriota na última semana, durante visita de seu par britânico, William Hague, a Brasília.

    Depois do anúncio dos britânicos de que vão reforçar as tropas nas ilhas durante o aniversário dos 30 anos da guerra, o chanceler argentino, Héctor Timmerman, reagiu.

    “A única via que a Inglaterra tem para sair desse imbróglio é a negociação direta. Não vamos responder a nenhuma provocação de tom militarista por parte de Cameron.”

    Timmerman se encontra em viagem pelos países da América Central, onde espera colher mais apoio com relação à questão.

    PRÍNCIPE

    Os argentinos estão especialmente contrariados pelo fato de a coroa britânica ter programado uma visita do príncipe William às ilhas, às vésperas do aniversário, em abril, gesto que veem como provocação.

    O episódio ainda faz lembrar a frase dita pelos militares durante a guerra: “que venga el principito” (que venha o principezinho), referindo-se à possibilidade de Andrew, irmão de Charles, ser enviado ao local durante o conflito.

    A Guerra das Malvinas durou de abril a junho de 1982. Foi iniciada após uma invasão da Argentina às ilhas, uma iniciativa da ditadura militar (1976-1983) que se encontrava em declínio e que viu na causa da recuperação do território um modo de mobilizar a opinião pública.

    Ao todo, morreram no conflito 649 soldados argentinos e 255 britânicos. (SC)

    Folha de S. Paulo/AC