Seabras dá largada às emissões de 2012

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    Graziella Valenti e Fernando Torres

    A Seabras, empresa de serviços para exploração marítima de petróleo, deu a largada para as captações com ações de 2012. A companhia pretende levantar até R$ 1,68 bilhão na BM&FBovespa. O sucesso da operação será um termômetro sobre o potencial do ano. A expectativa é que a Brasil Travel, companhia que reúne agências e operadoras de turismo, também inicie hoje sua operação e ajude a compor melhor esse cenário.

    Embora ninguém se arrisque a fazer previsões de valores, o humor geral indica que o ano deve ser melhor que o segundo semestre de 2011, uma vez que a primeira metade do ano passado concentrou as colocações. Mas ainda há muito ceticismo, especialmente por parte dos investidores. Para aplicar, eles devem continuar pedindo preços atrativos.

    A colocação da Seabras, liderada pelo BTG Pactual, é a primeira em ações desde outubro, quando a TIM Participações fez uma operação de R$ 1,71 bilhão. Contudo, já se vão seis meses desde a última abertura de capital, feita pela Abril Educação, numa oferta inicial de R$ 370 milhões.

    Desde que o mercado de capitais foi revitalizado, em 2004, o maior intervalo sem uma oferta de ações foi de oito meses e ocorreu após o agravamento da crise financeira global, com a quebra do Lehman Brothers, entre o fim de 2008 e o começo de 2009. Também nessa época, a bolsa paulista ficou um ano sem registrar nenhum estreia. O mercado de capitais é realidade no país. É natural que existam ofertas. O crescimento da economia passa por isso, resumiu o diretor de um dos mais ativos bancos de investimentos.

    O início desta semana é um dos momentos finais para que as companhias possam dar a largada no processo de oferta de ações e ainda utilizar os balanços dos primeiros nove meses de 2011 no prospecto. Na prática, isso significa que, para aproveitar essa janela, a empresa precisaria ter garantido seu lugar na fila ainda no ano passado, encaminhando seu pedido de registro à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A lista de ofertas em análise na autarquia, além da Seabras e da Brasil Travel, só conta com a Isolux, do setor de infraestrutura.

    Quem começar esse processo agora, pedindo registro ao regulador, terá de estar com o balanço de 2011 fechado. Por conta disso, a expectativa é que a sequência de ofertas demore um pouco a continuar, com as empresas ainda se preparando.

    Segundo o Valor apurou, a companhia de turismo CVC, que chegou a entrar com pedido de oferta inicial de ações no ano passado, mas depois desistiu por conta das condições de mercado, retomaria sua oferta agora se estivesse com a operação em análise na CVM.

    O bom humor dos banqueiros tem como ingredientes o acúmulo de caixa dos fundos de investimento, que retraíram as apostas em função da falta de visibilidade sobre a economia global, mas que precisam ir em busca de retorno para os cotistas. Além disso, as perspectivas pouco animadoras para a Europa também devem promover uma redistribuição das apostas, direcionando mais recursos para mercados emergentes- ao menos, é o que se espera. Dinheiro não vai faltar, disse um deles ouvido pelo Valor.

    Há uma soma de indicadores positivos que dão fôlego para a crença de que 2012 tem potencial para ser um bom ano. O primeiro, e mais óbvio, é o andamento do mercado. O Índice Bovespa acumula valorização de 10% neste início do ano. O fluxo de investimento estrangeiro estava positivo em R$ 3,5 bilhões, até o dia 18.

    Além disso, o índice Vix, que mede a volatilidade das opções na bolsa americana e é visto como um termômetro do medo do mercado, caiu abaixo de 20 nos últimos dias, o que não ocorria desde julho de 2011. Segundo um banqueiro de investimentos, leituras abaixo de 30 nesse indicador já são suficientes para viabilizar um lançamento de ações.

    Para esse executivo, o mercado queria muito mais ver a poeira baixar do que uma solução definitiva para os problemas na Europa. A dúvida é se a calmaria atual vai resistir por muito tempo.

    Para um advogado especialista na área, que tem uma visão menos otimista, a percepção que ele teve quando viu o anúncio da oferta da Seabras é que ela pode ser aquela andorinha que não será capaz de fazer o verão.

    A lista de companhias que pretendiam listar suas ações na BM&FBovespa no ano passado tem nomes como a empresa de agronegócios Los Grobo, a InBrands (do setor de moda, que decidiu no fim do ano passado levantar R$ 250 milhões com debêntures), além de Camil, Copersucar, Cimentos Liz e das empresas da indústria de óleo e gás Petrorecôncavo e Perenco.

    Com a paralisação das operações na segunda metade do ano, o acumulado das ofertas de ações em 2011 só foi maior do que o visto nos anos de 2004 e 2005, com um total de R$ 18 bilhões captados, em 11 ofertas iniciais e 11 subsequentes. Excluída a capitalização da Petrobras de R$ 120 bilhões em 2010, o melhor ano para o mercado foi disparado o de 2007, com um total de R$ 70 bilhões movimentados.

    Valor Econômico/AC