Santander separa private equity

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  • Postado em 18 de janeiro, 2012


    Vinícius Pinheiro

    O Santander decidiu separar do banco a área de gestão de fundos de “private equity” – que investe na compra de participações em empresas – e anunciou a criação de uma gestora que atuará de forma independente. Batizada de Mantiq Investimentos – uma redução de mantiqueira, em homenagem à serra que se estende pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais -, a firma nasce com um total de R$ 2,1 bilhões sob gestão, com foco nos setores de infraestrutura e óleo e gás.

    Com a cisão, o Santander segue a linha adotada por vários bancos estrangeiros, entre eles o HSBC, que em dezembro concluiu acordo com um grupo de executivos da instituição, que criaram uma nova empresa e assumiram a gestão dos fundos de private equity nas Américas.

    Mas, ao contrário dos concorrentes, a decisão do Santander não foi motivada por questões regulatórias, já que, no Brasil, a separação não é obrigatória, afirma Geoffrey Cleaver, um dos executivos responsáveis pela área de private equity do banco espanhol e que agora assumem a gestão da Mantiq. O time da empresa conta ainda com Marcos Matioli, Gustavo Peixoto e Carlos Correa.

    O processo de separação incluiu a transferência da equipe da sede do banco, no bairro da Vila Olímpia, para um edifício na Avenida Paulista – onde no térreo funciona uma grande agência do Itaú. A mudança principal, porém, ocorreu na governança da empresa. Embora o Santander mantenha 100% da Mantiq, os executivos respondem agora ao conselho de administração da firma, formado por dois gestores e dois representantes do Santander. Para Matioli, esse modelo evita conflito de interesses. “Quanto mais separado das atividades comerciais do banco, maior a possibilidade de agir de forma alinhada com os investidores”, afirma.

    A Mantiq pretende manter o foco em infraestrutura, aproveitando a experiência obtida pelos profissionais no Santander e Banco Real. Entre os fundos que a gestora assume está o recém-captado Brasil Petróleo I, fruto de uma parceria com a Mare Investimentos, do ex-presidente da OGX e da BR Distribuidora, de Rodolfo Landim.

    Com R$ 585 milhões de capital comprometido e prazo de oito a dez anos, o fundo tem os principais fundos de pensão brasileiros como cotistas e pretende investir na compra de participações em empresas na cadeia de óleo e gás. O produto terá uma segunda versão, destinado a investidores individuais e cuja captação deve ser concluída ainda no primeiro trimestre deste ano.

    A Mare será cogestora do fundo, e deve se valer da experiência de seus executivos para identificar oportunidades na área. Entre os sócios da gestora estão Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES e da Nossa Caixa, Nelson Guitti (ex- MMX e ex-BR) e Claudio Coutinho (controlador do Banco CR2). Segundo Cleaver, esse tipo de parceria deve se tornar cada vez mais frequente no país, à medida que o grau de especialização da indústria de private equity aumente.

    Valor Econômico/AC



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