Rita Siza

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  • Postado em 28 de janeiro, 2012


    O investimento público com a Olimpíada de Londres ascende aos 9 bilhões de libras

    O Comité Organizador dos Jogos Olímpicos fez uma série de anúncios, ontem, quando faltam seis meses para o arranque do evento em Londres.

    O mais emocionante tem a ver com o espetáculo da cerimônia de abertura, da autoria do cineasta inglês Danny Boyle. Ficamos a saber que o enredo é inspirado num discurso de Caliban, personagem extraordinário, louco e selvagem da peça de Shakespeare “A Tempestade”. Vai intitular-se “Isles of Wonder” -qualquer coisa como de encantamento, de assombro, prodigiosas. Tendo em conta que Boyle é o homem por detrás de “Trainspotting” e “Slumdog Millionaire”, suspeito que na sua mente não esteja uma coreografia de exaltação ao bucolismo da paisagem.

    Do pouco que o diretor aceitou antecipar, descobrimos que o elenco vai integrar crianças dos subúrbios e médicos, enfermeiras e restante pessoal do serviço nacional de saúde. E que, a certa altura, vai se ouvir repicar um sino de 27 toneladas, que está a ser construído e será o maior da Europa. “Quero que tenha o som de séculos passados”, esclareceu Boyle. De novo, não acredito que a intenção seja evocar os anjos ou outros elementos do divino -aparentemente, a única remissão histórica será para o futuro, para um tempo de regeneração pós-industrial. Faz sentido, portanto, que a partitura esteja a cargo dos eletrônicos Underworld.

    Toda esta extravagância custará pouco mais de um terço do orçamento de 81 milhões de libras que vão custar as cerimônias de abertura e encerramento ao erário público. Este valor é quase três vezes maior do que a previsão inicial, e o Reino Unido entrou oficialmente em recessão prolongada nesta semana. O investimento público com a Olimpíada ascende aos 9 bilhões de libras, mas esta é uma “oportunidade” única e irrepetível de promover o país, disse o governo ao passar o último cheque de 41 milhões. (Ironicamente, ontem a Ipsos revelou as conclusões de um estudo sobre os benefícios às empresas que investiram milhões para se tornarem patrocinadores oficiais e exclusivos dos Jogos. Aparentemente, não compensa.)

    Ontem também foi o dia em que a chave da Vila Olímpica foi oficialmente entregue ao comité organizador, que tomou posse dos 2.818 apartamentos e de todos os outros equipamentos urbanos (escola, clínica, supermercado, restaurante, banco, lojas e cabeleireiro) que foram construídos para acolher os atletas. Após os Jogos, os 62 edifícios -onze novos quarteirões na zona leste de Stratford- vão ser reconvertidos: metade da habitação será disponibilizada a “preços sociais”, a outra metade será fechada numa comunidade privada.

    Folha de S. Paulo/AC



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