Rio detecta até 12 mil alunos com supertalentos

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  • Postado em 7 de abril, 2015


    Bruna, de 12 anos, toca violão, piano, “um pouco” de violino. Também desenha mangás. João, de 9, filho de doméstica e pizzaiolo, aprendeu a ler sozinho aos 4 anos. Francisco tinha 5 quando decifrou a primeira partitura para violino. Eles são alunos do ensino fundamental da rede pública e foram identificados como detentores de altas habilidades pelo programa da Secretaria de Educação da Prefeitura de Rio que busca estudantes com supertalentos. Em 2014, ao menos 12 mil estudantes chamaram a atenção de professores. 

    A identificação de alunos superdotados já era feita na rede, com apoio do Instituto Municipal Helena Antipoff, que trata da educação inclusiva. No ano passado, 200 professores foram capacitados para identificar os supertalentos pela professora Cristina Delou, da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em altas habilidades.

    “Esses alunos com altas habilidades aprendem na primeira aula o que os colegas vão precisar de duas, três semanas para compreender. Eles se entediam facilmente. Nós precisamos estimulá-los”, diz a professora de recursos motivacionais Claudia Feijó, que duas vezes por semana dá aulas para Bruna, João, Francisco e outros 14 no contraturno do ensino regular. Eles frequentam a Sala de Recursos da Escola Municipal José de Alencar, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali discutem arte, participam de jogos, se envolvem em atividades que complementem o currículo regular. São 400 salas assim na rede.

    Entre os alunos identificados pelos professores, 330 foram selecionados pelos institutos especializados Lecca, Ismart e Rogério Steinberg, conveniados com a secretaria. O Lecca, por exemplo, prepara alunos dos 3º e 4º anos para as provas de colégios federais, como o Pedro II. O Ismart, mantido por doadores privados, lida com estudantes dos últimos anos do fundamental. Depois do preparatório de dois anos, os alunos ganham bolsas para cursar o ensino médio em instituições como Colégio São Bento, PH e Pensi. “Não pagamos apenas o valor da mensalidade, mas todo o material, uniforme, lanche e almoço, garantimos ajuda de custo para o aluno se manter na escola”, diz Inês França, gerente de projetos do Ismart. Uma nova seleção ocorrerá em 11 de abril. “Não existe compromisso de que devolvam o investimento feito. Queremos que sejam exemplos multiplicadores, que inspirem os mais jovens”, completa França.

    Fonte: Estado de S. Paulo