Projetos de geração eólica somam 34 e já movimentam R$ 6 bilhões

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  • Postado em 17 de janeiro, 2012


    Fernando Teixeira

    De início deixada de lado em favor de ventos mais notórios, como aqueles do Rio Grande do Norte, Ceará e mesmo Rio Grande do Sul, a Bahia está virando o jogo e promete assumir a liderança como maior província eólica do país. Os projetos em andamento já asseguram ao Estado um segundo lugar na produção de energia, atrás das eólicas potiguares. Mas as perspectivas são grandiosas: o governo do Estado tem registrados 16 grupos prospectando os ventos baianos, com potencial de geração de energia de 20 a 25 GW – quase uma vez e meia a potência de Itaipu. Para os próximos dez anos, o cálculo é de investimentos de R$ 42 bilhões.

    Além de áreas com bons ventos – diferentemente de outros Estados, localizados no interior e mais constantes ao longo do dia, o que aumenta a produtividade dos geradores – a Bahia tem contado com apoio do governo do Estado nos processos de licenciamento ambiental e regularização fundiária, além de uma política ativa de atração de fornecedores, via redução de ICMS, com resultados visíveis – além de Alstom e Gamesa, com fábricas já instaladas, há negociações em andamento para a chegada de empresas como GE, Siemens Acciona, Vestas e Windair.

    Os projetos de geração eólica em andamento na Bahia já somam R$ 6 bilhões, com 34 projetos contratados nos leilões de 2009 de 2010. O primeiro dos parques eólicos baianos deve começar a gerar no início de 2012, em Brotas do Macaúbas, na Chapada Diamantina. O empreendimento é da Desenvix, que tem três parques eólicos no Estado, totalizando investimentos de R$ 400 milhões. O CEO da Desenvix, José Antunes Sobrinho, vê que a chegada dos fornecedores deve contribuir para o desenvolvimento de novos projetos: Essas fábricas vão tornar a Bahia mais atraente para investimentos em energia eólica, afinal a fabricação no próprio Estado custa menos, o transporte é mais barato e o governo privilegia investidor que traz emprego para a região.

    Silvano Ragno, superintendente de energia da Secretaria de Infraestrutura da Bahia, diz que o governo também está empenhado, junto com empresas do setor, no desenvolvimento de um projeto para uma nova linha de transmissão que corte o semiárido baiano, passando pela região de maior desenvolvimento de projetos de geração. Ainda que as linhas de transmissão atuais deem conta dos projetos em curso, a ideia é levar uma proposta de uma nova linha ao governo federal a fim de acomodar o potencial de expansão futura.

    O maior investidor eólico da Bahia é a Renova, com 1.060 MW de parques em implantação no Estado, e outros 2,5 GW em prospecção. Segundo Renato Amaral, co-presidente operacional da empresa, a Renova chegou às Bahia em meados dos anos 2000, devido a projetos para PCHs no sul do Estado, e começou a prospectar potencial eólico, contando com dados detalhados obtidos de torres de medição instaladas anos antes pela Companhia Energética da Bahia (Coelba), o que trouxe estimativas seguras para os investimentos.

    Valor Econômico/AC



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