Preços da nafta seguem firmes em 2012

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  • Postado em 18 de janeiro, 2012


    Apesar da forte oscilação dos preços da nafta, principal matriz petroquímica brasileira, observada no ano passado, as cotações da matéria-prima básica para a produção de resinas termoplásticas devem seguir firmes em 2012, de acordo com especialistas ouvidos pelo Valor.

    No fim de dezembro, os preços da matéria-prima fecharam a US$ 893 a tonelada, de acordo com levantamento do Valor Data. Em relação a novembro, houve uma elevação de 2%. Na comparação com o mesmo mês de 2010, a valorização atinge 4%. A expectativa é que as cotações fiquem próximas a US$ 1.000 a tonelada. Ontem, as cotações encerraram a US$ 946 a tonelada.

    “O ano de 2011 foi difícil para o setor petroquímico. Começou promissor, mas as expectativas foram rebaixadas para regular e encerrou com estagnação”, afirmou Otávio Carvalho, diretor da consultoria Maxiquim.

    “As cotações tiveram forte valorização entre fevereiro e abril, mas começaram a recuar nos meses seguintes”, disse o diretor da consultoria. O Brasil importa cerca de 35% da nafta que as indústrias consomem. Os 65% restantes são fornecidos pela Petrobras.

    O balde de água fria no setor petroquímico veio com a crise internacional – até então os preços da nafta estavam firmes, impulsionados pelas cotações do petróleo e também pela perspectiva de crescimento. “O ano começou com uma expectativa de PIB de 7,5%, depois recuou para 4,5% a 5%. Agora, as últimas projeções indicam cerca de 2,5%”, afirmou Carvalho.

    Para 2012, as expectativas são de que os preços da nafta sigam firmes, puxados pela recuperação da economia e demanda aquecida. “As indústrias começam o ano com os estoques em baixa”, disse. O aumento do salário mínimo também deverá reforçar o consumo. “Injeção de capital no mercado reforça a demanda no mercado interno.”

    As indústrias de transformação, a chamada terceira geração do setor petroquímica, têm expressado nos últimos meses preocupação com o rumo do setor, uma vez que parte do segmento está perdendo competitividade, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria de Plásticos).

    A perda da competitividade em 2011 foi reforçada com os elevados volumes de transformados plásticos importados. Roriz reforçou ainda o aumento dos custos de produção do setor, puxado por energia e elevados encargos tributários. Dados divulgados recentemente pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) mostram que o faturamento líquido do setor fechou em 2011 em R$ 261,9 bilhões, crescimento de 15,8% sobre o ano anterior. Dados preliminares de 2011 indicam que a balança comercial deve ser negativa em US$ 25,9 bilhões. Em 2010, encerrou igualmente no vermelho em US$ 20,7 bilhões. Em 1991, o déficit era de US$ 1,5 bilhão, segundo a Abiquim.

    Para Roriz, o Brasil não poderá superar a China em custos de mão de obra, mas poderia compensar isso com a diminuição nos custos de produção no país, como em energia, tributação e cargos trabalhistas. O aumento do salário mínimo em 2012 vai elevar ainda mais os custos da empresa. “O aumento das vendas das indústrias em 2011 foi suportado pelas importações. O crescimento da indústria foi mínimo.”

    Para Carvalho, da Maxiquim, o ano de 2012 não deverá ser de margens atraentes para as indústrias do setor. E o ciclo de baixa da petroquímica deverá perdurar ainda em 2012. “Os Estados Unidos deverão puxar a nova onda de investimentos do setor, impulsionados pela reservas de ‘shale gás’ [gás de xisto]”, afirmou.

    O último ciclo de investimento do setor ficou concentrado no Oriente Médio, também em gás natural, matéria-prima que está mais competitiva que a nafta no mercado internacional.

    Valor Econômico/AC