O Rio está na moda

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    ANDRE CORRÊA

    ORio à Porter, braço de negócios do Fashion Rio, superou a previsão de alta no faturamento, de já otimistas 10%. Mais que o dobro do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2011. O resultado foi melhor do que a encomenda, com a presença de compradores de mercados de ponta, que ditam estilos, como Japão, França e Reino Unido. Não é um fato isolado, mas uma comprovação de uma onda positiva sinalizada pela atração de investimentos: o Rio está na moda.

    A indústria da moda fluminense cresceu 130% na última década. Nas exportações passou para 13,27% ante 3,59% em 2001. Desde 2006, o estado é o terceiro no ranking nacional, enquanto os dois primeiros colocados, Santa Catarina e São Paulo, decresceram 52,33% e 20,34%. Presentes ao Fashion Rio, representantes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) identificaram no estado uma capacidade de apontar tendências muito além das passarelas.

    O exemplo do Estado do Rio serve de lição para os desafios das tecelagens e confecções brasileiras. Ao reduzir drasticamente a tributação sobre a cadeia produtiva da moda, o Rio reverteu um esvaziamento que se revelara agudo na década de 90. Com o ICMS decolando para 19%, confecções tiveram como única saída o Galeão. A moda carioca, que alcançara 21% de participação no mercado nacional nos anos 80, caíra para menos de 3% nos anos 90.

    A Lei da Moda, de 2003, mudou o panorama: com cerca de três mil empresas, os dez polos de confecção do estado geram 51 mil empregos diretos na indústria, e mais de 90 mil no total. A cadeia da moda, antes tratada como supérflua e onerada com alta carga tributária, passou a contar com regime especial, recolhendo 2,5% de ICMS sobre o faturamento mensal. Sábia decisão. Beleza e estilo são gêneros de primeira necessidade em metrópoles que ditam tendências. Estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que a cadeia criativa fluminense registrou, em 2010, 974 mil trabalhadores, 24% dos empregos com carteira assinada do estado.

    Arquitetura, moda e design empregavam em 2010 cerca de 800 mil trabalhadores. Informalidade, só no estilo, não nas relações de trabalho: o número de carteiras assinadas nessas três áreas da economia criativa subiu 26% entre 2006 e 2010, e a renda dos trabalhadores aumentou 76%. O Rio apresenta, ainda, a maior remuneração média do país de profissionais da economia criativa.

    A hora é de consolidar essa conquista, estendendo a duração do benefício, fixada até 2013. A aprovação da lei assegurou a manutenção de milhares de empregos no estado. Agora, é hora de sua renovação. O governador Sérgio Cabral enviará mensagem à Alerj: não só a lei será prorrogada, como aperfeiçoada. Renda em alta e empregos de qualidade, no Rio, permanecerão na moda.

    ANDRE CORRÊA é deputado estadual (PSD-RJ).

    oglobo.com.br/opiniao

    O Globo/AC



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