O cerco se fecha

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    União Europeia impõe embargo inédito à importação de petróleo iraniano e congela ativos do Banco Central persa. EUA também anunciam penalidades a uma instituição de Teerã. Reino Unido, França e Alemanha pedem suspensão do programa nuclear» Renata Tranches

    Potências ocidentais anunciaram sanções sem precedentes à economia iraniana e aumentaram a pressão para que o país suspenda seu programa nuclear e sente à mesa de negociações. As medidas mais duras partiram das 27 nações da União Europeia. Além de suspenderem gradativamente a importação de petróleo, elas congelaram os ativos do Banco Central persa no bloco. O governo norte-americano também impôs penalidades ao banco estatal Tejarat. Em uníssono, vários líderes elogiaram as deliberações, que tiveram como consequência imediata a queda da moeda iraniana, o rial (leia nesta página). A República Islâmica respondeu com novas ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, uma estratégica rota marítima de petróleo, e assegurou que tais resoluções não afetarão seus planos. Um analista iraniano ouvido pelo Correio considerou a medida perigosa para a escalada de um conflito na região e observou que a população será a mais afetada.

    Forçar o governo iraniano a manter diálogo sobre seus objetivos foi o argumento para a decisão de ontem do bloco europeu, o segundo maior consumidor do petróleo iraniano, depois da China. Os novos contratos para importação, compra ou transporte do petróleo bruto e produtos derivados estão proibidos – aqueles que vigoram têm até 1º de julho para serem honrados. Os ativos do Banco Central do Irã foram congelados. O mesmo ocorreu com a troca de metais preciosos com a instituição e com os órgãos estatais iranianos. “Quero que a pressão dessas sanções resulte em negociações. Quero o Irã de volta à mesa e que ele aceite as ideias que colocamos ou apareça com suas próprias”, declarou a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton.

    Após a decisão, os líderes da Alemanha, Angela Merkel, do Reino Unido, David Cameron, e da França, Nicolas Sarkozy, pediram que o Irã “suspenda imediatamente” o programa nuclear. Eles foram endossados pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu. O governo dos EUA, por sua vez, afirmou que as resoluções das nações europeias são “outro passo firme” para pressionar Teerã, e anunciou penalidades ao banco estatal Tejarat. “A medida da UE é coerente com outras adotadas previamente pelos EUA”, afirmaram a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, por meio de um comunicado conjunto.

    Porta-aviões

    Ao mesmo tempo, o Pentágono confirmou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln cruzou no domingo o Estreito de Ormuz e chegou ao Golfo Pérsico. A embarcação, capaz de transportar até 80 aviões e helicópteros, foi escoltada por um cruzador de mísseis e por dois destróieres. O Irã tem prometido fechar a passagem, caso seja alvo de novas sanções. A ameaça voltou a ser feita ontem, depois que a Arábia Saudita prometeu substituir o fornecimento iraniano.

    O chanceler iraniano, Ramin Mehmanparast, citado pela tevê estatal, disse que as sanções eram “injustas” e “fadadas ao fracasso”. “Medidas não impedirão o Irã de obter seus direitos fundamentais em matéria nuclear”, afirmou. O diretor do Instituto para o Oriente Médio de Londres, o iraniano Hassan Hakimian, afirmou que as sanções criam uma situação de escalada de tensões do Irã com o Ocidente, mas também prejudicam algumas das próprias economias cambaleantes do bloco. “Esta é uma situação em que perdem os dois lados”, disse ao Correio. Segundo Hakimin, ainda que o objetivo seja mudar a conduta de um governo, a população é a que mais sofre com a punição. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que seus monitores visitarão o Irã entre 29 e 31 de janeiro e disse esperar que Teerã colabore. A agência assegura que o objetivo é “resolver todas as questões substantivas pendentes”.

    Correio Braziliense/AC