O ano zero da tecnologia brasileira

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    O país pode aumentar as suas exportações de tecnologia da informação, oferecendo sistemas para gerir produção agrícola e eleições, por exemplo

    O ano de 2011 foi marcado por grandes avanços no setor de tecnologia da informação (TI).

    Em uma economia com crescimento moderado, as projeções de crescimento para a área de TI foram de 13%, atingindo receitas de US$ 96 bilhões. É o Brasil se tornando mais competitivo, pois TI está na base da sociedade, trazendo ganhos de produtividade para todos os setores. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que as empresas que investem em TI são 13,24% mais produtivas.

    A grande vitória do setor em 2011 foi a desoneração da folha de pagamentos. A medida, contemplada no Plano Brasil Maior, atende a uma das principais reivindicações do setor, intensivo em mão de obra.

    Com a mudança da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de pagamentos para 2,5% do faturamento, o incentivo para as empresas de TI e TIC (tecnologias de informação e comunicação) será de R$ 1 bilhão apenas em 2012. Nos três anos de vigência da desoneração, a previsão é de R$ 3 bilhões.

    Não é um custo pequeno, mas será compensado. Como a informalidade da mão de obra é um grande problema do setor, a tendência agora é de que ela diminua rápido.

    Com mais formalidade e maiores receitas de imposto de renda, a conta do Tesouro Nacional no item TI tenderá ao equilíbrio, ou até mesmo registrará ganhos.

    Quase 80% dos trabalhadores informais serão serão contratados pela CLT, produzindo um ambiente mais ético para os negócios, além de menos conflituoso na Justiça do Trabalho. As formas de contratação praticadas hoje no setor inviabilizam o crescimento das empresas brasileiras, pois criam passivos trabalhistas que turvam os balanços e dificultam a abertura de capital.

    A desoneração será total para as exportações, pois as receitas com as vendas para o exterior serão excluídas da base de cálculo. A tecnologia brasileira terá, assim, condições de conquistar maiores fatias do mercado no exterior.

    Excelência em TI o Brasil possui, com sistemas sem paralelo no mundo em serviços financeiros, eleições, gestão de produção agrícola, exploração de petróleo, além de diversas aplicações sofisticadas de TI.

    Nossas exportações, que ainda engatinham, têm potencial para evoluir dos atuais US$ 2,6 bilhões para US$ 20 bilhões em dez anos. TI poderá, ainda, ser um dos grandes motores da geração de empregos em 2012.

    Estudos da Brasscom revelam que os saldos entre as contratações e demissões de TI devem crescer 31% em 2012 nos seus oito mercados principais.

    Em 2012, os desafios do setor de TI e do governo serão implantar bons programas de qualificação da mão de obra, acelerar os programas de infraestrutura e investir em inovação. A demanda por banda larga deve aumentar até 35 vezes até 2019.

    Mas o maior de todos os desafios é transformar a tecnologia em um componente central para a produtividade da economia nacional.

    A representatividade de TI no PIB de países desenvolvidos é de cerca de 6%. No Brasil, ficamos em cerca de 4%. Mas temos excelência técnica para chegar lá. Com os incentivos obtidos, 2012 será o ano zero da nova caminhada da TI brasileira.

    ANTONIO GIL, 73, é presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom)

    Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

    Folha de S. Paulo/AC



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