‘Nunca tive medo de trabalho’

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    Maria das Graças Foster é conhecida pelo perfil sério e o temperamento duro, o que lhe valeu comparações com a presidente Dilma Rousseff, de quem, aliás, é amiga. E, como a presidente, ela foi pioneira em posições antes dominadas por homens na Petrobras, onde entrou como estagiária em 1978. Em 2010, foi eleita a diretora executiva mais poderosa da América Latina, em ranking elaborado pela revista “América Economía”.

    Graça, casada e mãe de dois filhos, foi uma das primeiras mulheres a trabalhar embarcada em plataformas de petróleo; também foi a primeira a entrar para a diretoria executiva da Petrobras. E, agora, será a primeira mulher a presidir a estatal.

    Quem trabalha diretamente com a diretora diz que ela é bastante exigente. A executiva chega à companhia todos os dias por volta das 7h30m e não tem hora para sair.

    – Ela cobra prazos e resultados, e não é de ficar no gabinete, no ar-condicionado. Coloca o macacão, óculos e as luvas e vai inspecionar pessoalmente as obras. Cobra cumprimento dos prazos às empresas – diz um funcionário da estatal.

    Graça forjou seu caráter numa vida dura, de dificuldades.

    – Morei no Complexo do Alemão até os 12 anos, convivi com violência doméstica na infância e enfrentei dificuldades na vida. Sempre trabalhei para ajudar no sustento da minha mãe e dos meus filhos e para pagar meus estudos. Garra para mim é tudo. – disse ao GLOBO em entrevista em setembro do ano passado.

    Diretora de Gás e Energia da Petrobras desde 2007, a executiva é conhecida também por seu conhecimento técnico. Formada em engenharia química pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pós-graduação em engenharia nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e MBA em economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV), esteve à frente da BR Distribuidora e da Petroquisa.

    Sua lealdade à estatal é vista como uma devoção religiosa. Uma prova disso foi vista na chamada “crise do gás”, um conflito diplomático que colocou em posições divergentes Brasil e Bolívia com respeito ao custo e à quantidade de gás importado pelo Brasil do país andino.

    Em entrevista à revista “Exame”, em 2008, Graça reafirmou seu nível de dedicação: “Eu morro pela Petrobras.”

    O Globo/AC



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