Mudanças na Petrobras vão além de Gabrielli

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    Petróleo

    Almir Barbosa (financeiro) e Guilherme Estrella (exploração) podem deixar a estatal

    Daniel Rittner

    A saída de José Sérgio Gabrielli e sua troca por Maria das Graças Foster deve gerar um efeito-cascata na cúpula da Petrobras. Interlocutores da presidente Dilma Rousseff garantiram ontem que a queda de Almir Barbassa, diretor financeiro e ligado a Gabrielli, é questão de semanas ou, na melhor das hipóteses, de meses.

    Também colocaram em dúvida a permanência do diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, no cargo. Dilma não tem restrições a ele, mas sua relação com Graça Foster é considerada desgastada e Costa precisará agarrar-se mais do que nunca a seus padrinhos políticos – PP e PMDB – para permanecer na estatal. Mas o primeiro a deixar seu posto depois de Gabrielli, conforme garantiram fontes do PT, será Guilherme Estrella, diretor de exploração e produção e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro.

    Dilma já desejava a saída de Gabrielli desde a época de ministra-chefe da Casa Civil. Após a vitoriosa campanha presidencial, estava decidida a trocá-lo por Graça Foster, mas apelo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convenceu a mantê-lo por pelo menos um ano mais. Na primeira oportunidade que surgisse, depois disso, pretendia executar a troca. Na visão de Dilma e de gente próxima a ela, a Petrobras é uma empresa presidencialista, que precisa ser gerida com centralização e sem que decisões importantes sejam delegadas. Para a presidente e seus auxiliares, no entanto, Gabrielli tem um perfil diferente, dividindo poderes e mais afeito à descentralização.

    Dilma ironizou as estimativas do próprio governo de que o país vai produzir 5 milhões de barris/dia em 2020

    Graça é descrita por um interlocutor de Dilma como absolutamente leal à presidente, mas como uma das cinco pessoas do país que não têm medo de discutir com ela. Por isso, Dilma espera de sua ex-secretária de gás e petróleo no Ministério de Minas e Energia linha dura no comando da estatal, além de firmeza no relacionamento com outras áreas do governo e nas conversas com ela mesma – algo que a presidente não percebia em Gabrielli.

    Dilma quer mais agilidade da Petrobras na produção de áreas do pré-sal e acredita que a queda no valor de suas ações não se deve exclusivamente à política de contenção de reajustes dos combustíveis, como forma de atenuar as pressões inflacionárias, mas também à gestão financeira.

    Recentemente, quando o Senado discutia um novo acordo para redistribuição das receitas com royalties do petróleo, Dilma ironizou as estimativas do próprio governo de que o Brasil estará produzindo 5 milhões de barris por dia em 2020. Isso foi entendido, por observadores próximos, como mais uma insatisfação com o ritmo de exploração e produção da empresa no pré-sal.

    Dilma também tem demonstrado irritação com as dificuldades da Petrobras em contratar e receber navios e plataformas produzidos por estaleiros nacionais. A recuperação da indústria naval, por meio de encomendas da Petrobras, foi uma das grandes apostas de Lula. Mas a presidente avalia que o programa não anda com o sucesso esperado.

    Para suceder Graça Foster na diretoria de gás e energia da estatal, o nome mais provável é o de José Lima Neto, atual presidente da BR Distribuidora. Ele já havia sucedido a nova presidente da Petrobras na secretaria de gás e petróleo do ministério. As futuras indicações serão discutidas entre Dilma e Graça Foster. (Colaborou João Villaverde)

    Valor Econômico/AC



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