Longe das metas, fundos de pensão assumem mais risco

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    Por Marcelo Mota e Thais Folego | Do Rio e de São Paulo

    Sem cumprir a meta atuarial no ano passado, de 12,44%, muitos fundos de pensão iniciaram 2012 propensos a trocar parte da carteira de títulos públicos por ativos de maior risco – e maior rentabilidade. A combinação de juros em queda e inflação acima do centro da meta de 4,5%, que frustrou os resultados das fundações em 2011, deve se repetir neste ano e forçá-las a deixar a comodidade proporcionada pelos papéis do governo. Nos últimos dez anos, os fundos de pensão não alcançaram a meta atuarial, de INPC mais 6%, em 2002, 2008 e 2011.

    “O conforto da renda fixa acabou”, diz Eustáquio Lott, diretor-superintendente da Valia, fundo de pensão dos funcionários da Vale. A meta é reduzir o percentual de títulos públicos em sua carteira de R$ 14,6 bilhões de 62% para 57% em cinco anos. Em seu lugar, entram aplicações em imóveis e investimentos estruturados, como Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Segundo Lott, os FIPs são 2,5% da carteira da fundação e devem pular nos próximos cinco anos para até 6%. A Valia pretende elevar o peso dos imóveis de 5,9% para até 8%.

    Com a queda da bolsa em 2011, algumas fundações estão de olho em pechinchas para comprar fatias relevantes nas companhias abertas. É o caso da Petros, dos funcionários da Petrobras, que buscará reproduzir a compra de cerca de 12% que fez, em bolsa, da Itaúsa – holding de participações não financeiras do grupo Itaú – no apagar das luzes de 2010. “Por mais um ou dois anos, vamos ter boas oportunidades na bolsa”, diz Carlos Santos, diretor de investimentos.

    A queda da bolsa não prejudicou muito a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, que não tem sua carteira de renda variável de R$ 150 bilhões (63% do patrimônio) atrelada ao Ibovespa. O fundo quer melhorar sua rentabilidade com investimentos imobiliários. Essa carteira pode se ampliar de cerca de 4% para 6%.

    Já a Fundação Cesp bateu a meta com ganhos em papéis de crédito privado, participações societárias relevantes e imóveis. “Devemos fechar 2011 com rentabilidade de 13,2%”, diz Jorge Simino, diretor de investimentos.

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    Valor Econômico/AC



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