Londres já era

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    JOGOS OLÍMPICOS

    Conscientes das chances escassas de medalhas este ano, dirigentes de modalidades sem tradição no país tentam preparar seus atletas para as Olimpíadas do Rio 2016. Na mira pelo pódio inédito, eles buscam até ajuda estrangeira

    Ana Cláudia Felizola

    O Brasil pode não figurar entre os primeiros colocados no quadro geral de medalhas em Olimpíadas, mas a torcida já está habituada a ver a bandeira nacional ser estendida durante os Jogos, graças a algumas modalidades fortes no nosso país. Vôlei, judô, vela e natação, por exemplo, são esportes em que o potencial brasileiro se manifesta com mais frequência. No entanto, em outros, jamais conseguimos um lugar no pódio do maior evento esportivo do mundo. Ao que tudo indica – e até as próprias confederações assumem -, uma conquista inédita nesses casos também não deve ocorrer este ano, em Londres.

    A delegação verde e amarela jamais conquistou medalhas olímpicas com canoagem, esgrima, tiro com arco, triatlo e ciclismo. As razões alegadas para isso vão desde o fato de essas modalidades não serem tão tradicionais por aqui até a discussão pela falta de recursos para um treinamento adequado. “A missão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é dar suporte para que todos os esportes tenham condições de se desenvolver e alcançar bons resultados”, pondera o superintendente executivo de esportes da entidade, Marcus Vinicius Freire. “Já há um crescimento em diversas modalidades que anteriormente não alcançavam destaque internacional.”

    Em entrevista ao Correio por e-mail, Freire comentou sobre a expectativa do COB para os Jogos deste ano. “Esperamos que a delegação brasileira tenha um desempenho semelhante ao apresentado em Pequim, em 2008, quando manteve a evolução qualitativa alcançada nos anos anteriores e conquistou três inéditas medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze”, afirmou. “Com a realização dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016, temos a possibilidade de ampliar esse salto de qualidade”, emendou ele, destacando que a entidade mantém projetos nas confederações e no Ministério do Esporte com esse intuito.

    Para alguns esportes, então, os atuais resultados levam a crer que o jeito será adiar o sonho de medalha pelo menos até 2016. Ao menos os investimentos para que isso aconteça no Rio deverão ser maiores. “Além do apoio a diversas ações por meio dos recursos da Lei Agnelo/Piva, estabelecemos um plano de desenvolvimento para modalidades que identificamos ter potencial de crescimento, como o badminton e o tiro com arco”, explicou o superintendente.

    O objetivo do COB, de acordo com Freire, é que o Brasil encerre sua participação no evento carioca no Top 10 do quadro geral de medalhas – tarefa complicada quando se considera que em Pequim-2008, por exemplo, o país terminou em 23º, e, em Londres, a delegação nacional deverá ser menor do que a de quatro anos atrás. “Para chegarmos a essa colocação, não podemos depender apenas dos esportes em que temos história. Será preciso ganhar medalhas em 15 modalidades. Estamos trabalhando focados em cerca de 13 novas”, comentou.

    Para que os resultados realmente apareçam em quatro anos, uma medida que tem sido adotada pelas confederações é buscar ajuda de fora, seja com técnicos estrangeiros ou mandando seus atletas para treinarem e até morarem em outros países. Marcus Vinicius Freire disse que o COB não é contrário às iniciativas, mas fez ressalvas. “O intercâmbio com os melhores torna-se essencial para o desenvolvimento dos atletas. Porém, temos exemplos de competidores de ponta que estão optando por ficar mais tempo no Brasil, graças aos novos investimentos em centros de treinamento, tecnologia e ciências do esporte”, observou. “Apoiamos ainda a presença de treinadores estrangeiros em nosso país para ajudar a desenvolver modalidades que têm essa necessidade.” Esgrima

    Vice-presidente da Confederação Brasileira de Esgrima, Ricardo Machado avisa: “Falarmos em medalha agora é precoce, está fora da nossa realidade. Temos que lutar para classificar o maior número de atletas possível. A classificação para nós já será uma medalha”. Na opinião do dirigente, a dificuldade em subir ao pódio não é apenas uma questão de pouca tradição do país no esporte, mas também o fato de a obtenção de patrocínios ser recente. “Agora que começamos a ter um investimento maior, e medalha olímpica não se constrói de uma hora para a outra”, argumentou.

    Mesmo para 2016, Machado prefere não falar em pódio, apesar de acreditar que o cenário até lá será melhor. “Com investimento maior, poderemos dar mais qualidade às nossas equipes, como fazer com que treinem mais no exterior. Atualmente, todos os atletas que treinam para se classificar às Olimpíadas estão na Europa”, opinou. “Precisamos que isso ocorra muitas vezes, que estejamos do lado dos melhores do mundo.”

    Machado fala até em mandar esgrimistas para residirem no exterior. “Temos atletas treinando na França, Itália, Ucrânia e Rússia. Eles ficam espalhados, num regime de concentração violento e de alto rendimento, para que troquem experiência e participem de competições”, explicou. Em relação a 2016, o objetivo é classificar um número grande de atletas. Já para Londres, o ranking mundial vai até março e a última chance de carimbar a vaga será o Pré-Olímpico de abril. Por enquanto, os brasileiros com maior probabilidade de conseguir um lugar em Londres são Renzo Agresta, Athos Schwantes e Karina Lakerbai.

    Ciclismo

    O ciclismo é outro esporte distante de medalha em Londres. De acordo com a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), há projetos visando um desempenho melhor em 2016, por meio de planejamentos específicos para cada disciplina – pista, estrada, mountain bike e bicicross -, o que não ocorria antes. Atualmente, a entidade tem seleções permanentes definidas para cada uma. Assim, os atletas podem participar de treinamentos concentrados e atuar em campeonatos do calendário internacional.

    Por hora, isso já é considerado uma conquista para a modalidade, aliada ao fato de que o ciclismo contará este ano com três atletas nas Olimpíadas – nas edições anteriores, o país foi representado por um ou dois. O ranking continua em andamento até maio. No entanto, a expectativa mesmo é a de ver se os projetos desenvolvidos surtirão efeito em 2016, com a chegada da primeira medalha brasileira no esporte.

    Número maior O ciclismo brasileiro conquistou quatro vagas para Londres-2012, que ficarão com três atletas. Eles competirão na categoria estrada, no masculino. Os nomes serão definidos pela confederação. Um dos participantes poderá também atuar na prova de contrarrelógio, em que a competição ocorre individualmente e não com um pelotão. Triatlo

    O triatlo é outra modalidade em que o Brasil continua sem medalhas olímpicas. E a mudança nesse cenário não deve ocorrer em Londres. A Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri) acredita que Reinaldo Colucci, apontado como a maior esperança nacional, chegue este ano entre os 10 primeiros. “Nossa melhor colocação foi o 11º lugar de Sandra Soldan em Sydney-2000. A expectativa agora é conseguir fazer pelo menos um Top 10, mais possivelmente com o Reinaldo (Colucci)”, apontou o diretor técnico da CBTri, Marco Antônio La Porta. “O foco de buscar medalha mesmo fica para 2016.”

    Na edição carioca dos Jogos, a entidade aposta que terá uma equipe renovada representando os donos da casa. E, mais uma vez, a ajuda vem de fora. Atualmente, há seis atletas morando e treinando em Portugal, já pensando em 2016. Ainda assim, Colucci, hoje com 26 anos – e classificado para Londres após o ouro no Pan de Guadalajara -, deverá ser ainda o maior nome do triatlo brasileiro daqui a quatro anos. “Ele é novo, o auge dele vai ser em 2016. No triatlo, os campeões olímpicos costumam ter 29 ou 30 anos em média”, projetou La Porta.

    Tiro com arco

    Para buscar a primeira medalha olímpica, em 2016, a Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTarco) conta com a experiência do técnico sul-coreano Lim Hee Seek, comandante das seleções da Coreia do Sul e do Japão entre 2007 e 2009. Em entrevistas, o morador de Maricá (RJ) desde 2010 afirmou acreditar que o Brasil tem chance de subir ao pódio na edição carioca dos Jogos, mas considerou bem difícil isso ocorrer logo este ano, em Londres.

    De fato, o país está longe das boas colocações em eventos internacionais. No Campeonato Mundial de 2011, em Torino (Itália), por exemplo, a melhor posição brasileira foi a de Daniel Xavier, 45º lugar na fase classificatória. Por equipes, acompanhado por Eduardo Balthazar e Fabio Emilio, o atirador ficou em 36º. Já no feminino, a representante Michelle Acquesta terminou com a 116ª colocação. Para se classificar aos Jogos de Londres, o Brasil terá pela frente o Pan-Americano de Medellín, de 20 a 25 de abril, que oferece três vagas no masculino e três no feminino, mas obedecendo ao limite de um atleta por país.

    Canoagem

    Após garantir presença nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 com Erlon Souza e Ronilson Oliveira, na canoagem de velocidade – a dupla faturou a vaga depois de ficar com a prata na categoria C2 1000m masculina nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011 -, o maior objetivo da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) agora é tentar colocar o nome de alguém da modalidade slalom entre os representantes nacionais em Londres.

    A meta pode ser cumprida durante uma disputa pan-americana, em março, que servirá como seletiva olímpica. “Mas a expectativa de medalhas é só para 2016″, reconheceu o gerente do departamento técnico da CBCa, Carlos Henrique Pedrosa. O Brasil ainda não subiu ao pódio com a canoagem em nenhuma edição olímpica. Para que isso mude no Rio de Janeiro daqui a quatro anos, a alternativa atual é buscar ajuda estrangeira. “Trouxemos um técnico da Hungria, o Zoltan Bakó, que vai renovar a equipe permanente e preparar atletas para as Olimpíadas de 2016″, contou. Além disso, há 16 atletas, de 12 a 23 anos, treinando no Canal Itaipu, em Foz do Iguaçu (Paraná), com foco no evento carioca.

    Correio Braziliense/AC



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