Jovens empresários miram triatlo olímpico

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  • Postado em 22 de janeiro, 2012


    Jovens, ricos, bem relacionados e com um objetivo concreto: criar uma empresa de marketing esportivo que se torne referência para organizar a prova de triatlo das Olimpíadas de 2016, no Rio. Seis executivos paulistanos se uniram para montar a One International Sport Business, que fechou seus primeiros negócios no ano passado e começa a atuar oficialmente este mês. A nova empresa tem como foco a organização de eventos de esportes olímpicos e motorsport (como kart), além da gestão de patrocínio de atletas, no estilo do que fazem 9ine e XYZ Live.

    Liderados pelo piloto de Fórmula 1 Lucas di Grassi, de 27 anos, a One Sport Business tem como sócios Marcos Amaro (filho do comandante Rolim Amaro, da TAM), Mario Moraes (piloto de Fórmula Indy, herdeiro do Grupo Votorantim), João Valente (filho de Guga Valente, do Grupo ABC), Guilherme Nastari (diretor da Datagro), e o publicitário Henry Guedes. Di Grassi e Amaro possuem um terço da empresa, cada. O outro terço é dividido entre os demais sócios.

    Os empresários se conhecem há anos. Em algum momento de suas vidas, estudaram ou trabalharam juntos. Di Grassi, Amaro e Guedes, que atua como CEO da One, estudaram juntos na Escola Morumbi, em São Paulo. Na faculdade de economia no Ibmec (atual Insper), Di Grassi conheceu Valente e Nastari. E com Moraes, o atleta começou a conviver no mundo do automobilismo.

    Cada um contribui com suas experiências e redes de relacionamentos, diz Lucas di Grassi. Ele conta que Moraes cuida dos negócios do triatlo, Valente das decisões estratégicas, Nastari planeja o viés sustentável dos eventos, e Amaro trouxe o modelo de organização de uma grande companhia, criando um conselho diretor.

    Os sócios investiram R$ 2 milhões para montar a empresa, que projeta faturar R$ 15 milhões em 2012 e crescer 30% no ano que vem. Em 2014 e 2015, a One prevê expansão de 45% no faturamento.

    A expectativa é que a proximidade com os jogos olímpicos de 2016 no Rio aqueçam o mercado, já que a empresa atua com ativação de patrocínios e eventos próprios – sendo que o triatlo, esporte olímpico, é o principal.

    A One entra no mercado no espaço de duas outras marcas: a Lucas Sport Business, ex-administradora da carreira do automobilista Lucas di Grassi, e a Fragata Marketing de Entretenimento, comprada por um valor não revelado.

    Com a aquisição, a One levou a conta de marketing esportivo dos clientes da Fragata: Alpargatas, Sesc, Minas Tênis Clube, Accor Hotels e Rapidão Cometa. De tabela, incorporou os funcionários e o fundador da empresa. Maurício Fragata, ex-professor de Henry Guedes, é agora diretor de operações da nova empresa.

    Outro passo importante foi fechar um contrato de exclusividade para Brasil e América do Sul com a Star Events, que realiza provas de triatlo conhecidas como TriStar. Di Grassi é um dos embaixadores da organizadora, que tem sede em Luxemburgo e este ano deve montar provas no Brasil, no Rio ou em Brasília.

    A diferença para as concorrentes nacionais é que a TriStar é uma prova premium, define Di Grassi: Na hora de sair da água, para não sujar o pé antes de calçar o sapato, o participante pisa em um tapete vermelho, explica. Depois, o esportista pode tomar uma ducha, e troca de roupa na área de transição ouvindo um DJ famoso ou uma banda animada.

    O triatlo combina natação, ciclismo e corrida. O atleta vai nadar, pedalar, correr e suar, e sua família pode acompanhá-lo do sofá de casa por um GPS que mostra sua posição na prova.

    A Star realiza provas na Europa e nos Estados Unidos, e as empresas apostam que há público no Brasil. Di Grassi diz que participou de uma edição de Miami em que quase metade dos atletas eram brasileiros. A inscrição por aqui deve ficar na faixa dos €180, preço similar ao cobrado no exterior.

    Outro projeto da One é organizar uma prova de kart de longa distância e um rally no interior de São Paulo. O nível do mercado esportivo brasileiro está muito distante do europeu e ainda mais do americano, Henry Guedes.

    Para Di Grassi, é possível trazer a expertise de empresas internacionais para ampliar o mercado. Na condição atual [de crise internacional] há mais empresas que querem vir ao Brasil do que as brasileiras que pensam em internacionalização, diz ele, que ficará responsável por fazer essa ponte.

    Valor Econômico/AC