Investimentos ultrapassam R$ 70 bilhões

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  • Postado em 17 de janeiro, 2012


    Um fluxo bilionário de investimentos nos próximos anos tem condições de mudar as características da economia baiana. O governo estadual calcula a injeção de mais de R$ 70 bilhões em projetos industriais, comerciais e também em infraestrutura, com geração de 80 mil empregos nos próximos cinco anos. Menos de 40% desse montante será aplicado na região metropolitana de Salvador, historicamente o principal destino dos investimentos na Bahia. A mudança é importante e contribui para desenvolver o interior do Estado. É um novo paradigma. As pessoas sempre olharam para o litoral e para fora do Estado e ignoravam o interior. Nossa meta é a interiorização do desenvolvimento econômico, diz Zezéu Ribeiro, secretário estadual do planejamento da Bahia.

    Os investimentos ocorrem em várias áreas. Os setores naval, químico, automotivo, de mineração, petróleo, celulose e borracha recebem alguns dos maiores aportes. Mas há também projetos na indústria de cosméticos, alimentos e bebidas, calçados e têxteis que contribuem para mudar a estrutura econômica concentrada na indústria da transformação e localizada próximo de Salvador.

    Para atrair o capital privado, o governo mapeou as vocações regionais dividindo o Estado em Territórios de Identidade. São 27 regiões com características culturais, produtivas e geográficas semelhantes. Nessas áreas, em grande parte formadas por cidades com menos de 20 mil habitantes, são organizados consórcios públicos para a realização de obras e projetos comuns. Já criamos nove consórcios e outros seis estão em formação, afirma Ribeiro.

    A perspectiva na área logística é um atrativo importante, na opinião de James Correia, secretário estadual de indústria, comércio e mineração. Começamos a ser vistos pelos investidores [especialmente do agronegócio e mineração] como um Estado com logística boa e barata, diz Correia. Um projeto grandioso e polêmico que beneficiará o transporte de grãos e minérios é o Complexo Porto Sul. O projeto de R$ 8,1 bilhões prevê a construção de um conjunto industrial e portuário na região de Ilhéus com capacidade para movimentar 40 milhões de toneladas de cargas por ano e gerar 10 mil empregos diretos e indiretos.

    O complexo foi criticado por ambientalistas, que apontam prejuízos à população, à fauna e à flora, mas segue em construção. O porto estará interligado à Ferrovia Oeste-Leste, que ligará a região de produção de soja, milho e algodão ao Oceano Atlântico.

    Além do Complexo Porto Sul, o governo estadual prevê investimentos nos portos do polo industrial de Aratu e também no de Salvador. Na capital baiana, a intenção é criar um terminal de passageiros para receber os milhares de turistas que chegam à cidade pelos cruzeiros marítimos. Entre o fim de 2011 e o primeiro semestre deste ano, a expectativa é que 114 navios atraquem no porto soteropolitano. Nos aeroportos do Estado, foram anunciadas ampliações e melhorias em Salvador, Ilhéus, Vitória da Conquista, Luís Eduardo Magalhães e Porto Seguro. O investimento estimado chega a R$ 355,1 milhões.

    Um dos grandes desafios dos empresários que chegam à Bahia está na busca de profissionais qualificados. A taxa de desemprego em 8,4% somada à taxa de analfabetismo de 16,6% sinalizam a falta de trabalhadores preparados para aproveitar as novas oportunidades de trabalho. Para mitigar esse grave problema social, o governo estadual realiza um projeto de alfabetização – que já capacitou 850 mil pessoas – e investe em cursos técnicos. Nos últimos cinco anos, multiplicou por 12 o número de alunos matriculados em programas de educação profissional. O número de escolas técnicas passou de 34 em 2006 para 140 em 2011. Nossa preocupação está em formar técnicos e operadores, afirma Ribeiro.

    Valor Econômico/AC



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