Insatisfação com a Petrobrás leva Dilma a indicar Graça Foster para presidência

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  • Postado em 24 de janeiro, 2012


    Primeira mulher no comando da estatal é dos quadros da empresa, tem perfil técnico, estilo firme e é amiga da presidente da República

    Sabrina Valle Sergio Torres / RIO

    A futura presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, que será a primeira mulher a comandar a maior companhia do País, deve manter o foco da gestão na exploração dos recursos do pré-sal.

    A confirmação da mudança, ontem, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do conselho de administração da estatal, fez as ações ordinárias ( ON, com direito a voto) subirem 3,61%, atingindo a maior cotação desde maio de 2011, R$ 27,30, embora ainda abaixo dos R$ 29,65 usados como referência na megacapitalização de 2010.

    De perfil técnico, a atual diretora de Gás e Energia é indicação direta da presidente Dilma Rousseff, de quem é amiga e com quem compartilha o estilo firme.

    Graça Foster é o nome preferido por Dilma desde sua vitória nas eleições de 2010, quando aceitou a sugestão do ex-presidente Lula de manter José Sergio Gabrielli na presidência da estatal durante 2011, conforme noticiou o Estado de 22 de novembro de 2010.

    O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, avaliou como positiva uma solução vinda dos quadros da empresa e disse que eventuais substituições na diretoria serão ser feitas após a posse da presidente. “O xadrez da sucessão ainda não está definido.” Graça Foster não respondeu aos pedidos de entrevista. Sua assessoria informou que ela manterá o silêncio até a data do anúncio.

    Em sua agenda de prioridades, Graça terá de buscar solução rápida para a contratação de 21 sondas de perfuração, projeto de US$ 70 bilhões para a exploração do pré-sal e cuja licitação foi suspensa em dezembro, após impasse sobre quem as construiria.

    A presidente quer a garantia de produção das sondas no Brasil, como estímulo à indústria local. De acordo com a apuração do Estado, a morosidade da licitação foi um dos motivos do aumento do desgaste entre Dilma e a cúpula da Petrobrás. Gabrielli é a sétima baixa do primeiro escalão de Dilma ligada a Lula.

    A reunião do conselho que vai referendar o nome de Graça deve também decidir outras substituições na diretoria. É esperada a manutenção da atual política de preços em relação à gasolina e ao diesel, como quer o governo.

    A confirmação da troca veio no fim da manhã de ontem, em nota oficial do ministro Mantega, informando a pauta da reunião do conselho no dia 9. Segundo Mantega, Graça Foster reúne as “condições técnicas necessárias” para administrar a Petrobrás.

    A substituição de Gabrielli por Graça vinha sendo cogitada desde o ano passado. Gabrielli pretende seguir carreira política na Bahia, seu Estado natal. Ontem, o governador Jaques Wagner (PT) confirmou a ida de Gabrielli para seu secretariado.

    Outros. Para o lugar de Graça na diretoria de Gás e uma eventual substituição de Guilherme Estrella na diretoria de Exploração e Produção, a escolha não é tão óbvia. Estrella já manifestou interesse em se aposentar.

    Outros postos estariam em disputa, como a diretoria financeira, cujo titular, Almir Barbassa, foi nomeado por Gabrielli. O governo teria pedido a manutenção por mais um ano do diretor de Serviços, Renato Duque, que também quer sair. Cogita-se a criação de uma diretoria corporativa e de serviços, para a qual está cotado o ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra, ex-presidente nacional do PT.

    “Há pouco contato de Graça com o mercado, não a conhecemos bem. Mas prevemos mais do mesmo, com ênfase maior em exploração e produção e no desenvolvimento do pré-sal”, disse o analista da corretora Socopa, Osmar Camilo. Relatório distribuído aos clientes de um grande banco vai na mesma direção.

    “Acreditamos numa transição suave, sem grandes impactos para a companhia.” Em dezembro, uma reunião de diretoria da Petrobrás foi suspensa depois que Estrella apresentou a proposta de não contratar as sondas diante dos preços e prazos apresentados. Uma alternativa seria o afretamento ou a construção no exterior. Dilma defende a contratação local, enquanto Gabrielli teria se alinhado à posição de Estrella.

    Em reunião do conselho de administração em 22 de dezembro, com a presença dos ministros Guido Mantega e Miriam Belchior (Planejamento), a posição de Gabrielli e Estrella não prevaleceu.

    Foi anunciado o cancelamento da licitação e autorizada a negociação das sondas diretamente com a Sete Brasil, na qual a Petrobrás detém 10%, e com a concorrente Ocean Rig.

    O Estado de S. Paulo/AC