IED supera expectativa do Banco Central e sobe 37,4%

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  • Postado em 24 de janeiro, 2012


    SÃO PAULO – O Banco Central do Brasil (BC) divulgou ontem os resultados do setor externo de dezembro de 2011 e o acumulado do ano. Segundo dados da autoridade monetária, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) acumulou o montante recorde de US$ 66,7 bilhões em 2011, uma alta de 37,4% em relação ao acumulado de 2010. O índice superou a previsão do BC para o IED, que era de US$ 65 bilhões no acumulado do ano. Em dezembro, o IED registrou montante de US$ 6,6 bilhões, registrando aumento em relação a novembro quando o total acumulado foi de US$ 4 bilhões. Esses números ajudaram a cobrir o déficit de US$ 52,6 bilhões das contas correntes no acumulado do ano, recorde de déficit desde o início da série histórica, no ano de 1947. Para o professor de Finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, este dado é importante e que “o indicador [IED] normalmente impõe respeito, pois mostra ao investidor estrangeiro que o Brasil é um bom lugar para se investir”.

    Além disso, o professor analisa que a principal razão para que o Brasil seja um país atrativo para investimentos externos é a crise europeia. “Temos estampada essa crise europeia, que não é uma crise pontual é uma crise estrutural, do modelo econômico, com variáveis macroeconômicas e macrossociais. O Brasil é o inverso disso [da situação da Europa].” Além de um contraponto com a Europa, para Gomes um outro fator que contribui para que País seja atrativo é o seu grande potencial de geração de energia como, por exemplo, através do pré-sal. Outro ponto destacado pelo professor foi a taxa básica de juros. Por ser a maior do mundo é também muito lucrativa. Os investimentos brasileiros no exterior totalizaram em dezembro aplicações líquidas de US$ 2,3 bilhões e acumulou no ano US$ 9,3 bilhões em aplicações líquidas. O BC divulgou também que o balanço de pagamentos registrou um superávit de US$ 525 milhões no mês de dezembro e o montante de US$ 58,6 bilhões no acumulado do ano.

    As reservas internacionais atingiram US$ 352 bilhões em dezembro, retração de US$ 61 milhões em relação ao mês anterior. O Banco Central afirmou que não efetuou nenhuma medida nas operações de câmbio durante o último mês e que a receita de remuneração das reservas totalizou US$ 397 milhões, enquanto as demais operações externas, relacionadas principalmente a variações de preços e de paridades, reduziram o em US$ 458 milhões. Viagens A conta de viagens internacionais apresentou déficit de US$ 1 bilhão em dezembro mas crescimento de 7,1% dos gastos de turistas estrangeiros no País na comparação com o mesmo período de 2010. Os gastos de brasileiros no exterior aumentaram 2,2% na mesma comparação. As receitas atingiram os patamares recordes de US$ 6,8 bilhões de gastos de estrangeiros no Brasil e US$ 21,2 bilhões de gastos de brasileiros no exterior. Os gastos de turistas estrangeiros no Brasil superou a expectativa de US$ 6,4 da Embratur .

    O presidente da empresa Flávio Dino afirmou em nota divulgada a imprensa que “Vamos [a Embratur] continuar inovando nas ações de promoção dos destinos brasileiros, intensificando o apoio à comercialização de produtos turísticos e apoiando fortemente o debate sobre a competitividade do setor, conduzido pelo Ministério do Turismo.” Perspectivas Sobre as reservas de moeda internacional ,na opinião do professor da ESPM, se os números atuais forem mantidos para os próximos meses o Brasil continuará protegido de possíveis agravamentos na crise europeia. “O impacto que esta crise produziu a gente já absorveu, vai demorar um bom tempo para que as coisas se assentem, mas o investidor já colocou isso no seu risco. Não teremos impacto maior”. Sobre o IED, para o próximo trimestre o especialista acredita que os investimentos devem continuar a subir mas pondera que o crescimento mais desacelerado da economia brasileira pode influenciar na alta dos investimentos estrangeiros no País.

    DCI – Comércio, Indústria e Serviços/AC