Grande Salvador enfrenta gargalo do transporte público

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  • Postado em 17 de janeiro, 2012


    A concentração da riqueza da economia baiana na Grande Salvador pode ser facilmente constatada em números. A região metropolitana reúne praticamente a metade do PIB do Estado. O PIB per capita na região é 58% mais alto que a média baiana. Chega a R$ 17,7 mil. No Estado, é R$ 11,2 mil. O conjunto de 13 municípios também é populoso. Concentra 25% da população do Estado, composto por 417 cidades. O contingente já conflagrou a saturação das principais vias urbanas e do sistema viário.

    A mobilidade é o tema mais crítico na região metropolitana de Salvador, afirma Moema Gramacho, prefeita de Lauro de Freitas (PT). A cidade é vizinha à capital, abriga o principal aeroporto do Estado e dá passagem para as principais praias do litoral norte.

    Hoje, não há um transporte de massa eficiente na região, diz a prefeita, que também é presidente do Consórcio da Costa dos Coqueiros, um grupo de gestão coletiva de 11 cidades costeiras. Uma das soluções em vista é a construção de um metrô para ligar Salvador a Lauro de Freitas. A linha de 22 quilômetros terá uma conexão com a linha um do metrô, em construção há mais de uma década. Segundo os estudos preliminares, a nova linha vai exigir um investimento de R$ 2,6 bilhões – sendo R$ 1 bilhão do governo federal, R$ 600 milhões do governo estadual e R$ 1 bilhão da iniciativa privada. O edital deve ser publicado em fevereiro.

    Até 2014, há a expectativa de o governo concluir a implantação de 217 quilômetros de ciclovias na capital e também em Lauro de Freitas. O estímulo à circulação de bicicletas faz parte de um plano de mobilidade urbana que pretende beneficiar especialmente as pessoas que circulam a pé – cerca de 28% da população – e promover a integração com o metrô e as linhas de ônibus da capital.

    O investimento em novas vias expressas e no transporte coletivo ajudarão a reduzir o impacto dos novos empreendimentos imobiliários. Quem visita Salvador percebe já na Paralela – uma das principais avenidas da cidade – o boom imobiliário que tomou a região. São condomínios horizontais e verticais, shopping centers e bairros inteiramente novos que começaram a surgir em áreas até então pouco habitadas. Segundo a Odebrecht Realizações Imobiliárias, o mercado saltou de uma oferta de 2 mil novas unidades por ano em 2004 para 15 mil em 2008. Alguns condomínios têm mais de 1,1 mil domicílios, o que significa centenas de novas famílias passando a transitar diariamente por uma região previamente desassistida de transporte de massa e de vias públicas de alto tráfego.

    Além dos empreendimentos residenciais e das torres de escritórios, o setor da construção civil também cresce com a expansão da rede hoteleira. Segundo a Secretaria do Turismo do Estado da Bahia (Setur), 49 novos empreendimentos hoteleiros devem ser implantados no Estado até a Copa do Mundo. Serão 20 mil novos leitos. Hoje, somente em Salvador, há 50 mil leitos disponíveis.

    O turismo é um dos vetores de crescimento. A Setur estima que 114 cruzeiros marítimos chegarão ao porto da capital baiana nesta temporada, que acaba em maio. Para aumentar a estada dos turistas que chegam de navio, o porto deve ganhar um terminal para passageiros. As obras estão orçadas em R$ 36 milhões. A expectativa é que o novo terminal fique pronto em 2013, quando o porto de Salvador completa 100 anos.

    Apesar da pujança da economia, a Grande Salvador ocupa a primeira posição na pesquisa mensal de desemprego do IBGE. A taxa de 8,4% supera em muito a média brasileira de 5,2% e é praticamente o dobro da de Porto Alegre (3,6%), onde o problema é o chamado pleno emprego.

    Para Genilson Santana, economista do Santander, ter excedente de mão de obra pode ser vantajoso. São trabalhadores que podem ser treinados e contratados pelas empresas. A pesquisa do IBGE mostra que o rendimento médio real das pessoas ocupadas é um dos menores entre as seis regiões pesquisadas. Fica em R$ 1.439,60, bem abaixo dos R$ 1.623,40 da média brasileira. O poder de consumo só não é pior porque o custo de vida não é tão alto. Segundo o Dieese, a cesta básica em Salvador é terceira mais barata entre 17 capitais pesquisadas. (K.S.)

    Valor Econômico/AC