Foi dada a largada

  • Português
  • English
  • Postado em 20 de janeiro, 2012


    Por Carla JIMENEZ e Guilherme QUEIROZ

    Ao menos 19 empresas já se preparam para o leilão de concessões de três aeroportos no próximo dia 6. É mais uma leva de estrangeiros que vêm ao Brasil.

    As privatizações na década de 1990 foram um marco na economia do Brasil. Em 1998, o leilão da estatal de telefonia Telebras trouxe empresas que se tornariam íntimas do cidadão brasileiro, como a Telefônica, que assumiu a Telesp, em São Paulo, e a América Móvil, que hoje é dona da Claro, da Net e da Embratel. Dois anos depois, a venda do banco paulista Banespa atraiu o Santander, que hoje obtém na sua operação brasileira um quarto dos resultados do grupo espanhol. No dia 6 de fevereiro, o Brasil pode trazer uma nova leva de estrangeiros com o leilão de concessão dos aeroportos de Cumbica e Viracopos, em São Paulo, e o Juscelino Kubitschek, em Brasília. Pelas regras da Infraero, cada grupo deve ter um parceiro internacional. Ao menos 19 empresas já começam a se movimentar em torno de potenciais consórcios, acertando parcerias estrangeiras.

    A concessionária CCR, por exemplo, avalia entrar na disputa com a operadora suíça Flughafen Zurich AG. “Podemos disputar os três aeroportos”, informa Arthur Piotto, diretor financeiro da CCR. Já a Galvão Engenharia tem conversas avançadas com a alemã Flughafen München, administradora do aeroporto de Munique, com movimento anual de 35 milhões de passageiros. O grupo carioca MPE, de manutenção de equipamentos aeroportuários, sonda operadoras na Malásia, na China e na Europa para a composição do consórcio. Segundo Renato Abreu, presidente da MPE, não faltarão investidores. “Toda semana tem um fundo, principalmente do setor de petróleo, querendo entrar no negócio”, disse ele à DINHEIRO. Além de abrir as portas para novos grupos internacionais, o leilão está servindo para que empresas locais de infraestrutura diversifiquem sua atuação com a gestão de aeroportos. É o caso da concessionária EcoRodovias, que ganhou, na semana passada, a concessão do trecho capixaba da BR-101. A empresa paranaense se associou à alemã Fraport, que administra diversos aeroportos na Alemanha, para entrar na disputa no próximo dia 6. Também a paulista CCR, que acaba de entrar na sociedade de três aeroportos no Equador, na Costa Rica e em Curaçao, vê no certame uma porta para ampliar seu escopo de ação. “O momento atual de infraestrutura de transportes no Brasil oferece oportunidades de diversificação com sinergias na gestão”, diz Arthur Piotto. A exemplo das empresas de transporte, várias construtoras do País estão fazendo contas e trocando informações. Além da Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez, que são acionistas da CCR, as grandes do setor são apontadas como potenciais parceiras nos consórcios. A intensa movimentação, porém, não significa que o leilão contará com a participação de todas as empresas que sondaram parcerias. O advogado Guilherme do Amaral, especialista em direito aeronáutico e sócio da Aidar SBZ Advogados, de São Paulo, explica que há dúvidas sobre o retorno do investimento no longo prazo. “O edital leva em conta uma demanda ascendente até a Copa e a Olimpíada, mas como estará o setor aéreo no mundo daqui a cinco anos ninguém sabe”, diz Amaral. No Brasil, entretanto, o movimento nos aeroportos não para de crescer. No ano passado, foram 179,4 milhões de passageiros, 15,5% a mais que em 2010. No dia 6, o País saberá quem se arrisca a ficar de fora.

    “Aeroportos chegam ao limite este ano”

    O novo ciclo de obras nos aeroportos, já em curso, estará concluído apenas em 2013. Os passageiros ainda vão sofrer neste ano. “Vamos chegar ao limite”,diz Gustavo do Vale, presidente da Infraero, em entrevita a Guilherme Queiroz.

    Gustavo do Vale, presidente da Infraero.

    Como está o interesse das empresas pelos três aeroportos? Está bom. Existem cerca de 20 grupos – entre construtoras e operadores estrangeiros – que já visitaram os aeroportos. Será um processo bastante concorrido, até porque as empresas não poderão disputar em mais de um consórcio por mais de um aeroporto. O único sócio comum será a Infraero.

    Recentemente, o presidente da Iata (associação internacional das companhias aéreas) criticou o modelo de concessão, dizendo que a Infraero na sociedade é como “botar a raposa para tomar conta do galinheiro”

    … É uma mera opinião e confesso que não entendo esse raciocínio. Por que a Infraero seria inimiga do empreendimento do qual ela possui a metade? Além disso, a administração caberá inteiramente ao sócio privado.

    Será mais confortável viajar pelos aeroportos em 2012? Só a partir de 2013. Vamos chegar ao limite este ano. Aliás, já temos aeroportos que operam acima de sua capacidade. Guarulhos, por exemplo, está completamente lotado.

    O Brasil atingiu a marca de 179,4 milhões de passageiros em 2011, sem que os aeroportos tenham acompanhado a demanda. Qual é a previsão para 2012? Não vai crescer num ritmo tão forte, mas será num patamar elevado. Devemos bater a marca de 200 milhões de passageiros em 2012.

    Colaborou Cristiano Zaia

    Revista IstoÉ Dinheiro/AC