FMI dá sinal de alerta de que a crise pode se agravar

  • Português
  • English
  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    Em um cenário ainda carregado de riscos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas projeções sobre o crescimento da economia global, para 3,3%. Com exceção do desempenho dos Estados Unidos, que deve repetir em 2012 o resultado de 2011 (1,8%), todos os demais países diminuirão seu ritmo de expansão. O PIB chinês cai quase para a faixa dos 8% (8,2%) e o do Brasil encalha nos 3%. A Europa, porém, terá uma recessão (- 0,5%) neste ano e um crescimento medíocre em 2013, de 0,8%.

    O FMI aponta que uma desalentadora combinação de elevadas dívidas de governos, fragilidade bancária e juros perto de zero é propícia a um pessimismo duradouro e mais instabilidade. É a zona do euro que continua gerando os riscos de provocar uma recessão mundial, que ainda poderá acontecer caso os líderes europeus não afastem de vez o risco de quebra de Estados e instituições financeiras.

    A Europa não é a única causa de preocupação, apenas a principal e mais óbvia. Erros na correção do impasse fiscal nos EUA têm potencial para abortar o pouco dinamismo que resta na economia global. O Fundo adverte que se o corte de impostos sobre a folha de pagamentos e os benefícios dados para aos desempregados não forem prorrogados no fim de fevereiro – democratas e republicanos chegaram, no fim do ano, ao compromisso de estendê-los por dois meses, até decisão definitiva -, os EUA terão um ajuste fiscal da ordem de 2% do PIB. Será a maior correção das últimas quatro décadas no país, algo suficientemente grande para destruir a recuperação econômica que voltou a ganhar fôlego.

    Um pouso forçado da economia de alguns dos países emergentes que têm sustentado o dinamismo mundial, como a China, poderia criar novas ondas de instabilidade e jogar o mundo mais perto da recessão. Esses países passaram por rápida e significativa expansão do crédito e elevação dos preços dos ativos imobiliários. A inversão do ciclo poderá causar sérios estragos, sugere o FMI.

    A receita do Fundo para os países avançados – para a zona do euro, na verdade – é mais intervenção e, ao mesmo tempo, mais flexibilidade dos governos. A política monetária terá de ser afrouxada até seus limites, de acordo com a necessidade, para impedir curtos-circuitos na ligação das dívidas soberanas com a saúde de seus tomadores, os bancos. O fundo de estabilidade europeu, que se transformará no Mecanismo de Estabilidade Europeu em meados do ano, precisaria ter muito mais dinheiro em caixa do que os € 500 bilhões iniciais. O FMI vai mais longe e chega a sugerir um fundo pan-europeu para comprar participações em bancos que estejam em condições falimentares e o uso de dinheiro público em bancos descapitalizados.

    O FMI acha que seria preciso ainda mais empenho no resgate de títulos soberanos para impedir que os governos em dificuldades sejam levados da iliquidez para a insolvência, tarefa que vem sendo executada pelo Banco Central Europeu, que já comprou € 219 bilhões desses papéis. Por último, o Fundo recomenda comedimento no ajuste fiscal na zona do euro para evitar um período prolongado de deflação nos ativos e nos preços ao consumidor. Há países em condições de fazer ajustes suaves ou até mesmo alguma política expansionista – não é mencionado, mas é o caso de Alemanha e Holanda, por exemplo – para impedir que um ciclo nocivo entre crescimento menor, descumprimento de metas fiscais e mais arrocho se instale.

    Os países emergentes não precisarão de nenhuma dessas políticas extremas, apesar de a revisão das projeções do Fundo ter sido forte, rebaixando seu crescimento para 5,4%. Há países e regiões mais e menos afetados pela má situação dos bancos europeus, mas quase todos sentirão o baque da severa perda de fôlego do comércio mundial, cuja expansão cairá de 6,9% em 2011, para 3,8% em 2012. O ritmo de aumento das importações dos países avançados (4,8% em 2011) cairá a menos da metade, para 2%. Os preços das commodities, exceto petróleo, recuarão 14%. Com tudo isso, cabe aos emergentes que não estejam às voltas com inflação alta nem déficits públicos altos utilizarem estímulos fiscais para enfrentar a crise, como em 2008. É o caso do Brasil, que, segundo o FMI, optou por disciplina fiscal para tornar a política monetária a principal ferramenta anticíclica.

    Valor Econômico/AC



    Rio Negócios Newsletter

    Cadastre-se e receba mensalmente as principais novidades em seu email

    Quero receber o Newsletter