Felipe Patury

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  • Postado em 21 de janeiro, 2012


    Dá uma mão no Tribunal?

    O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, enviou um emissário ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A missão do preposto: prestar esclarecimentos sobre o inquérito destinado a apurar o período em que Agnelo presidiu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A investigação corre no Superior Tribunal de Justiça, onde Sarney tem muitos e bons amigos. Por meio de sua assessoria, o governador diz desconhecer o fato.

    Troca de óleo

    A presidente Dilma Rousseff reuniu-se com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e sua diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster, para discutir mudanças na cúpula da estatal. Está em jogo a substituição do presidente, dos diretores financeiro, Almir Barbassa, e de Exploração e Produção, Guilherme Estrela. Prazo previsto para as trocas: o fim do Carnaval.

    Índio quer ouro

    Os índios cintas-largas já foram acusados de contrabandear diamantes e são responsabilizados pela brutal chacina de 29 garimpeiros ocorrida há oito anos. Em dezembro, a tribo criou uma cooperativa para promover a mineração de diamantes, ouro e manganês na Reserva Roosevelt, em Rondônia. A iniciativa esbarrou no Departamento Nacional de Produção Mineral, que alega que a Constituição proíbe a extração de pedras e metais em áreas indígenas. Os índios querem convencer o Congresso a remover o obstáculo.

    Só não dá para aliviar um

    Os deputados Pedro Novais (PMDB-MA), Roberto Policarpo (PT-DF) e João Carlos Bacelar (PR-BA) encerraram 2011 encrencados na Corregedoria da Câmara, mas 2012 só reserva más notícias para um deles. Novais usou o motorista oficial em serviços privados. Vai se safar porque o funcionário disse que fazia bicos em suas folgas. Policarpo orientou a Polícia Legislativa a intimidar testemunhas que o acusavam de compra de votos. Ficará por isso mesmo porque os meganhas agiram no Congresso, área que está sob sua jurisdição. Bacelar é o único que terá dificuldade para escapar. A Corregedoria considera-o culpado de nepotismo, punível com a suspensão do mandato. Temos uma mala de documentos sobre outras irregularidades , diz Chico Alencar (PSOL-RJ).

    PT (Partido da Traição)

    A senadora Marta Suplicy (SP) abriu um precedente perigoso ao anunciar que não cumprirá o acordo de repassar a primeira vice-presidência do Senado para seu correligionário José Pimentel (CE). Como ela roeu a corda, os petistas que presidem as Comissões de Direitos Humanos, Paulo Paim (RS), e Assuntos Econômicos, Delcídio do Amaral (MS), se sentem desobrigados de ceder os postos a Ana Rita (ES) e Eduardo Suplicy (SP), respectivamente. E têm motivos para isso: a oposição diz que o acordo agride o Regimento do Senado e quem renunciar pode responder a processo na Comissão de Ética da casa. Mesmo aliados do PT relutam em transferir o poder para Ana Rita e Suplicy. Tem mais: eles também brigam pela liderança. Os senadores do Norte e Nordeste lutam por Wellington Dias (PI). Os outros digladiam-se por Walter Pinheiro (BA).

    Entregou a Deus

    A prefeita de Natal, Micarla de Souza, está a um passo de anunciar que desistiu da reeleição. Com altos índices de rejeição e forte desgaste pessoal, ela teme que sua família sofra com uma nova campanha política. Movida pelos mesmos motivos, Micarla, que se converteu à confissão evangélica A Força da Esperança, cogita mesmo passar uma temporada fora de Natal, depois de passar a faixa para seu sucessor.

    Ele é inocente. O governo, ingênuo

    No fim de 2010, o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi acusado de assinar uma certidão que atestava que uma ONG fantasma funcionava regularmente. Munida desse documento, a tal instituição fajuta arrancou R$ 3 milhões do Ministério do Turismo. Em dezembro, o Ministério Público Federal pediu à Justiça para arquivar o inquérito. Motivo: a assinatura de Padilha foi falsificada de forma tão grosseira foi simplesmente escaneada que seria difícil montar uma ação penal. Sobram duas lições do episódio: 1) Padilha é inocente; 2) é mole tapear o governo.

    O meu, não. Os deles!

    O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, armou artilharia pesada para tirar o PMDB do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS). No Aviso 317/MI, enviado à Casa Civil em 29 de dezembro, Bezerra Coelho pede a demissão dos diretores de administração, Albert Gradvohl, e de Infraestrutura Hídrica, Cristina Peleteiro, ambos nomeados pelo PMDB. Justifica que eles precisam deixar os cargos para saneamento de irregularidades . No documento, faz uma defesa enfática do diretor de Desenvolvimento Tecnológico, Francisco Frota, indicado pelo PSB, seu próprio partido.

    A Voz do Irã

    O iraniano Mahmoud Ahmadinejad poupou-nos de sua presença na última turnê que fez pela América Latina, mas não nos esqueceu. Ao contrário, armou uma bomba em São Paulo. Quer instalar na cidade um escritório de sua agência de notícias, a Irna, para divulgar notícias do Irã em português. E ainda há quem reclame da Voz do Brasil.

    A ver navios

    A solução para a crise no estaleiro Atlântico Sul passa pela Samsung. Hoje sócia minoritária, ela deverá elevar sua participação dos atuais 10% para mais de 30% no capital da holding controlada pela Camargo Corrêa e pela Queiroz Galvão. Com o aumento de capital, a empresa coreana passará também a ter um papel primordial na gestão do estaleiro.

    A ver aviões

    O Planalto já admite reduzir a participação de 49% que a Infraero teria nas empresas que administrarão os aeroportos privatizados de Brasília, Guarulhos e Viracopos. Para o Tribunal de Contas da União, ela deve cair a zero. Um meio-termo evitará atrasos ainda maiores no leilão, que será adiado para março ou abril.

    A ver empregos

    Bastou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, insinuar que quer se mudar para Itaipu para surgirem candidatos a seu posto. Um dos que estão de olho é seu antecessor, Hélio Costa, que não conta com a simpatia da presidente Dilma Rousseff.

    Revista Época/AC