Especialistas veem soma de fatores para tragédia

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  • Postado em 28 de janeiro, 2012


    ANTONIO GOIS

    EDUARDO GERAQUE

    ‘Não podemos descartar nenhuma hipótese’, diz dirigente de entidade

    Edifício Liberdade era sustentado por paredes externas e pelos pilares do elevador, de acordo com engenheiro

    Além da possível quebra de uma parede interna em obras no interior do edifício Liberdade, especialistas consultados pela reportagem levantaram ontem outras hipóteses para explicar a queda dos três prédios no centro histórico do Rio, na quarta.

    O presidente do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) do Rio, Sydnei Menezes, afirma que não se pode focar a investigação apenas numa possibilidade.

    “O que tem me incomodado é a tese de que tudo pode ter ocorrido por causa de uma única reforma. O tamanho do sinistro é tão grande que certamente houve uma conjunção de fatores”, avalia.

    O engenheiro Clovis Ferreira Junior -que conhecia bem o prédio porque sua empresa, a Norenge Engenharia, funcionou até 2008 no 4º andar- acha que é pouco provável que a quebra de paredes internas seja a causa.

    “O prédio era sustentado por pilares externos e pelas paredes do elevador, e não por paredes internas”, afirma.

    BURACOS

    Para o engenheiro, é preciso investigar também se não foram feitos buracos nos pisos para permitir acesso de um andar para o outro, já que algumas empresas -caso da Tecnologia Organizacional- ocupavam mais de um andar.

    “A laje naquele edifício tinha função importantíssima, pois distribuía o peso entre os pilares, disse.

    Ontem, a empresa disse não ter feito nenhum buraco na laje para unir andares.

    Imagens antigas mostram que o prédio passou por várias modificações. Num cartão postal do Theatro Municipal, que está no site www.pancolecionismo.com, os últimos andares do Liberdaestão com menos área construída. Além disso, é possível constatar que não havia janelas na fachada cega.

    No site, a imagem aparece como sendo da década de 30, mas provavelmente é posterior, já que o prédio, diz a prefeitura, é de 1940.

    Manuel Lapa, vice-presidente do Clube de Engenharia, porém, acha pouco provável que essas mudanças tenham provocado o desabamento súbito do prédio tanto tempo depois.

    “Não podemos descartar nenhuma hipótese, mas acredito que, se fosse uma mudança no projeto original feita há tanto tempo, o prédio daria sinais de falhas, como trincas, rachaduras ou deformações na laje. E, pelos relatos, o que houve foi uma queda abrupta.”

    JANELAS

    Sobre as janelas da fachada lateral, Menezes, do CAU, concorda que são irregulares, mas diz que provavelmente elas nada tem a ver com uma possível falha estrutural. Segundo ele, é muito difícil abrir uma janela em um pilar de sustentação. E, apenas neste caso, haveria alguma ligação entre as janelas e o acidente.

    Outra suspeita que não pode ser descartada é a de sobrepeso em alguma laje do prédio. O engenheiro João Virgílio Merighi, professor da Universidade Mackenzie, diz que é factível essa hipótese.

    “Materiais de construção não devem ser acumulados em um mesmo andar. Qualquer engenheiro que vai fazer uma reforma num prédio deve considerar o acúmulo de carga. Além da ação das novas cargas sobre a estrutura existente”, afirma Merighi.

    Folha de S. Paulo/AC



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