Empresa que fazia obras no prédio nega irregularidade

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    ALFREDO JUNQUEIRA, PEDRO DANTAS, FELIPE WERNECK e BRUNO BOGHOSSIAN

    Para Conselho de Engenharia, reforma pode ter alterado estrutura do Edifício Liberdade; sócio diz que acusação é ‘absurdo completo’

    A discussão sobre a possível causa do desabamento provocou uma troca de acusações entre representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ) e um dos sócios da empresa Tecnologia Organizacional (TO), que funcionava em seis dos 20 andares do Edifício Liberdade.

    De manhã, o engenheiro Luiz Antonio Cosenza, o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea, afirmou que “estavam ocorrendo obras irregulares” no 3.º e 9.º andares, usados pela TO. Segundo ele, o último registro de obra no local é de 2008. O secretário de Defesa Civil, Sérgio Simões,afirmou que “tudo leva a pensar” que a obra fez com que alguma estrutura importante do prédio fosse danificada.

    Um dos cinco sócios da TO, o analista de sistemas Sérgio Alves classificou de “absurdo completo” a acusação de que a obra era irregular. “O síndico foi informado, pediu um laudo, contratamos um engenheiro para isso e a obra tinha uma arquiteta responsável.” Segundo Alves, tratava- se de uma reforma para “melhorar a aparência interna”.

    “Era nossa terceira obra. Fui informado pela arquiteta de que, como não seria uma obra estrutural,não precisava de autorização do Crea. Ninguém seria louco de mexer na estrutura, tirar uma viga.” Segundo Alves, o prédio era muito antigo, não tinha nem escada de incêndio, e obras de melhoria eram necessárias. “Era gesso, divisória, mudança de fiação, pintura, piso, essas coisas. Já tinha acabado no terceiro andar e começaria no nono. “A empresa funcionava havia 11 anos no prédio.

    No entanto, um operário sobrevivente disse que foram demolidas paredes no 3.º andar para abertura de um salão. “A obra não tinha inspeção. Era muito barulho. Nunca vi alguém de empresa responsável, uniformizado”, acrescentou Teresa Andrade, sócia de um escritório no edifício.

    “Quando a porta do elevador se abria no 3.º andar, víamos que não havia pilastras e as paredes estavam todas derrubadas.” Um contador da ECN Auditoria e Contabilidade, que funcionava no sétimo andar, disse que os elevadores subiam “esbarrando nas paredes”. Um funcionário relatou ter ouvido estalos.

    O sócio da TO afirmou ter ouvido relatos de que a estrutura do prédio teria sido abalada durante a construção do metrô.

    Doutor em Engenharia e responsável técnico pela construção do metrô, Fernando MacDowell descartou qualquer relação entre o colapso e as obras realizadas há mais de 30 anos. Para ele, a insinuação é “brincadeira de péssimo gosto”.

    O vice-presidente do Clube de Engenharia Manoel Lapa, explicou que a causa de 90% dos casos de colapso total de prédios é a realização de obras nas construções.

    O Estado de S. Paulo/AC