Empresa não dá explicações sobre reforma

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Ruptura de pilar de sustentação no edifício Liberdade por conta de obras é vista como a possível causa da tragédia

    Clube de Engenharia cria comissão para apurar circunstâncias do desmoronamento dos edifícios do centro

    DO RIO DO ENVIADO AO RIO

    A principal hipótese levantada até o momento pela Defesa Civil estadual e por engenheiros consultados pela Folha para o desabamento dos três prédios no centro do Rio é a ruptura de algum pilar de sustentação do edifício maior, de 20 andares, provavelmente causada por obras.

    O edifício Liberdade teria caído primeiro e o impacto de seus escombros fez desabar os dois prédios ao lado.

    Ao menos uma hipótese foi praticamente descartada pela prefeitura: que uma explosão de gás tenha causado o acidente. “Não há resposta definitiva”, disse ontem o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

    A Polícia Civil abriu ontem um inquérito para investigar as causas do desmoronamento. Já ouviu seis pessoas, mas não divulgou os seus nomes.

    SEM DETALHES

    Frequentadores do edifício Liberdade afirmam que havia obras no 3º e no 9º andar, ambos sob responsabilidade da empresa Tecnologia Organizacional. A empresa divulgou nota lamentando o acidente, mas não deu detalhes sobre as intervenções que fazia.

    “Não sei se tinha obra clandestina no prédio, mas desconfiava do movimento no terceiro andar. A gente percebeu que eles mexeram nas pilastras e o andar virou um salão. Eles também armazenavam material de construção lá dentro”, disse Teresa Andrade, 47, sócia de uma empresa de crédito consignado, localizada no 16º andar.

    De acordo com o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), Luiz Antonio Cosenza, não havia no conselho registro de qualquer obra de grande porte no edifício Liberdade.

    De acordo com ele, “qualquer obra grande, que altere a estrutura do prédio” deve ser registrada no órgão.

    Para Consenza, as características das obras nos dois andares indicam a necessidade de haver uma comunicação.

    Não é possível, porém, afirmar que as obras eram irregulares, já que troca de piso ou pintura interna que não alterem a estrutura do prédio não precisam ser registradas.

    Já a derrubada de uma parede, por exemplo, precisa ser registrada no conselho por um engenheiro responsável, afirma o presidente da Comissão Análise e Prevenção de Acidentes do Crea.

    Além disso, há obras que precisam ter aval da prefeitura, como acréscimo de área, mudança de fachada ou alteração em áreas comuns.

    Segundo o prefeito do Rio, não há indícios de irregularidades, do ponto de vista da legislação municipal, nas obras feitas no prédio.

    Imagens da lateral do edifício maior mostram, no entanto, que foram feitas ao menos 12 janelas em seis andares do prédio alterando a fachada cega da construção.

    O Clube de Engenharia designou uma comissão para investigar os acidentes. Manuel Lapa, vice-presidente do órgão, afirma que os relatos até agora sobre o desabamento reforçam a suspeita de que alguma obra tenha provocado a ruptura de um pilar.

    Moacir Duarte, pesquisador da Coppe/UFRJ, concorda, mas ele diz também que o excesso de carga em determinados pontos do prédio, como entulho de obras, pode ter contribuído para o desmoronamento.

    (ANTONIO GOIS, ITALO NOGUEIRA E EDUARDO GERAQUE)

    FOLHA.com

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    folha.com/120261

    Folha de S. Paulo/AC



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