…em Havana, eles festejam

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  • Postado em 28 de janeiro, 2012


    “Qualquer coisa que venha do Brasil sempre tem um sabor agradável para os cubanos. Há uma química que vem da história, da cultura e de nossos ancestrais, que nos fazem povos muito próximos.” A declaração do cubano Sergio Vigoa, 45 anos, morador de Havana Velha, é uma amostra do entusiasmo dos habitantes da ilha caribenha com a visita de Dilma Rousseff. Ele explica que a chegada iminente da presidente tem sido bastante comentada nas ruas. “Como se veem poucas mulheres estadistas, isso sempre causa admiração”, comenta, em entrevista ao Correio, por meio de uma complicada conexão de internet. Muito além da curiosidade, a visita é interpretada por Vigoa como uma boa oportunidade para estreitar laços de amizade que chegaram a um momento crucial, tanto no plano político quanto no econômico. “Não tenho a menor dúvida de que será uma excelente visita, capaz de deixar uma agenda de trabalho interessante para o futuro dos dois países”, sustenta.

    Vigoa cita o Porto de Mariel como exemplo dessa proximidade. “Trata-se do projeto de cooperação econômica mais ambicioso que existe em Cuba. E o Brasil é o sócio mais importante nesse empreendimento, que deverá aprimorar a capacidade de comércio com nosso país”, destaca. Ele frisa que, quando estiver pronto, Mariel será mais do que um simples porto: terá as configurações de uma zona de desenvolvimento, uma espécie de cidade industrial.

    Funcionário de uma empresa de comércio exterior sediada no bairro de Miramar, na capital, José Antonio Cabrera classifica a visita de Dilma como “sumamente importante”. Ele espera que a passagem da presidente dê impulso aos acordos firmados por Lula. “Precisamos buscar, de modo conjunto, complementar nossas economias e serviços. O gigante brasileiro tem muito o que contribuir com nosso pequeno país. Cuba também pode auxiliar na área de saúde e na erradicação do analfabetismo no Brasil.

    Além disso, pode ser um bom destino turístico para os amigos brasileiros e pode fazer muito, em termos de cooperação científica”, observa.

    Simpatia Cabrera acrescenta que os laços estreitos entre os dois povos transcendem as relações políticas e comerciais. “Temos costumes similares. Os produtos brasileiros contam com boa aceitação em Cuba, sejam alimentos, equipamentos ou bens de consumo”, garante. Segundo o empresário, a presidente brasileira é sinônimo de valentia política, para os cubanos. Ele conta que os moradores da ilha socialista acompanharam com atenção a convalescença de Dilma de um câncer linfático diagnosticado em 2009. “Quando ela foi empossada, enfrentou momentos difíceis e soube transpô-los de forma valente”, lembra, referindo-se a enchentes e deslizamentos de terra que mataram quase mil pessoas no Rio, em janeiro de 2011. “Espero que essa primeira visita dela como presidente sirva para fortalecer o carinho e o respeito mútuos”, concluiu.

    Para Jesus Noguera, morador de Havana graduado pelo Instituto Superior de Relações Internacionais Raul Roa Garcia, o Brasil já se destaca como um “bom sócio” de Cuba. Ele explica que o dinheiro brasileiro ajuda a economia e a sociedade. Também enaltece o papel do país na ampliação do Porto de Mariel. “Sem esse acordo de mais de US$ 600 milhões, o porto não seria finalizado. Se encontrarmos petróleo na costa norte, será muito importante termos um porto de embarque de mercadorias perto de Havana”, acrescenta.

    Professor da Universidade de Havana, Emilio Duharte Díaz qualifica a visita de Dilma de “muito positiva” e alimenta boas expectativas. “Eu espero um fortalecimento das relações, nos âmbitos comercial, econômico e político”, afirma. “O Brasil é um líder imprescindível para a integração latino-americana, por meio da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac).” (RC)

    Correio Braziliense/AC