Em Dubai, hotel e sanduíche para contornar a crise

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  • Postado em 22 de janeiro, 2012


    Um ano atrás, Nabil Rantisi passava seus dias negociando ações numa corretora de Dubai. Hoje ele anota um tipo diferente de ordens de compra. A delicatessen gourmet que ele abriu em setembro serve carne assada envolta em massa Yorkshire e outras comidas na hora do almoço para multidões que incluem seus antigos clientes. O negócio estava andando muito devagar, e em algum momento temos de decidir usar o tempo de uma forma mais valiosa, diz Rantisi, que em junho deixou o cargo de diretor de corretagem no Rasmala Investment Bank.

    Três anos após o colapso de uma bolha imobiliária, o setor financeiro de Dubai ainda está em declínio e mostra poucos sinais de recuperação. Das 98 corretoras ativas em 2008, 41 suspenderam as operações. O valor de mercado das ações no Índice Geral DFM era US$ 27,4 bilhões em 17 de janeiro, em comparação com US$ 123,9 bilhões no fim de 2007.

    Com menos de 10% das reservas de petróleo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Dubai traçou um curso econômico com ênfase em comércio, finanças e turismo. A maior metrópole dos EAU tem por objetivo tornar-se um centro financeiro regional. Para atrair bancos gestores de ativos e seguradoras com atuação mundial que buscam aproveitar a riqueza da região petrolífera, em 2004 os governantes da cidade criaram um parque empresarial isento de impostos: o Dubai International Financial Centre.

    O Goldman Sachs Group e o Morgan Stanley estavam entre aqueles que abriram escritórios lá. No início de 2008, o principal índice de ações de Dubai tinha subido para um patamar quase seis vezes mais alto do que seu nível cinco anos antes.

    Então veio o colapso, causado em grande parte pela especulação imobiliária que deixou o governo e as empresas estatais com um endividamento de aproximadamente US$ 110 bilhões. Dubai, que abriga o mais alto arranha-céu do mundo e ilhas artificiais em forma de palmeiras, recebeu um pacote de socorro de US$ 20 bilhões, cujo contribuinte majoritário foi seu vizinho mais rico, Abu Dhabi.

    Embora a economia esteja se recuperando – o crescimento nos Emirados Árabes Unidos acelerou para 3,3% no ano passado -, o interesse estrangeiro por Dubai tem sido atenuado pela crise da dívida soberana europeia. Investidores internacionais compraram ações num total de US$ 762 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 83% em comparação com o mesmo período em 2009.

    Diversos bancos, como o Credit Suisse Group e o Nomura Holdings, reduziram suas divisões de negócios e pesquisas envolvendo ações, à medida que os volumes negociados em Dubai caíram. Al Futtain HC Securities, importante corretora com sede em Dubai, anunciou em 4 de janeiro que encerrará suas operações nos EUA.

    Vyas Jayabhanu, o gerente da Al Broker Financial Dhafra, encontrou uma nova linha de negócios, enquanto espera uma virada do mercado. O corretor de 35 anos de idade assumiu um segundo emprego como desenvolvedor de hotel e boate. Em turismo, há algo para todo mundo, diz Jayabhanu, tomando um café no Hotel Boutique 7 & Suites, um hotel quatro estrelas em Dubai que ele ajudou a fazer decolar. Incentivar clientes a investir em ações com o mercado nessa situação não é ético.

    Os corretores espertos que conseguirem permanecer em atividade se darão muito bem quando os volumes voltarem, diz Rantisi. O proprietário da Deli 1762 – assim batizada em homenagem ao ano em que o conde de Sandwich supostamente pediu que sua carne fosse servida entre duas fatias de pão – não está no sufoco. Ele e seus parceiros estão se preparando para abrir uma filial de seu estabelecimento em outro distrito de negócios em Dubai, no próximo mês. Diz Rantisi: O negócio superou as expectativas.

    Valor Econômico/AC



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