Economia paulista acompanha PIB do país, mas mínimo estadual cresce mais

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  • Postado em 19 de janeiro, 2012


    Carlos Giffoni

    O crescimento econômico do país está mais democrático. Desde 1986, a média de avanço da economia brasileira é maior que a de São Paulo – Estado economicamente mais forte. Os dados macroeconômicos de São Paulo em 2011 mostram que o Estado acompanhou o desempenho brasileiro, apresentando ligeiro destaque no setor industrial. Ainda assim, o reajuste de 15% apresentado ontem pelo governo paulista, que elevou o salário mínimo regional de R$ 600 para R$ 690 a partir de 1º de março, representa um aumento real de 7,99%, 0,4 ponto percentual a mais que o praticado no mínimo nacional. Em 2012, a valorização do piso brasileiro foi de 7,59%, passando de R$ 545 para R$ 622.

    O reajuste é superior ao nacional, mas não é tão diferente. A economia de São Paulo é mais dinâmica e essa é a lógica do piso regional: economias mais fortes avançam mais, disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

    O impacto do reajuste do salário mínimo regional na economia de São Paulo será de pelo menos R$ 7,7 bilhões em onze meses, de acordo com cálculo realizado pelo Valor. Cerca de 7,8 milhões de pessoas serão contempladas pela correção.

    No acumulado dos três primeiros trimestres do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) de São Paulo e do Brasil cresceram no mesmo ritmo: 3,2% na comparação com o mesmo período de 2010. A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi praticamente igual nos dois casos. A taxa em São Paulo ficou em 6,49%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a nacional foi de 6,50% em 2011.

    Ao mesmo tempo, a indústria paulista cresceu pouco mais que a nacional. A produção física em São Paulo avançou 0,5% até novembro, enquanto a alta no país foi de 0,4% no mesmo período. Em contrapartida, o desempenho do comércio varejista no país foi melhor que em São Paulo. Enquanto o resultado nacional para a evolução do volume de vendas foi de 6,7% no acumulado até novembro, em São Paulo o índice ficou em 5,8%.

    A perda de importância de São Paulo está desacelerando, provavelmente devido ao aumento da relevância do setor de serviços na economia brasileira, que tem destaque no Estado. A permanência de indústrias mais resistentes como a Embraer e as montadoras que, por precisarem estar próximas a centros tecnológicos, mantêm-se em São Paulo, também justifica a redução desse ritmo, diz Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores.

    Segundo levantamento da Tendências Consultoria, a economia brasileira avançou, em média, 2,4% anualmente entre 1986 e 1995. A paulista, 2,0% no mesmo período. Entre 1996 e 2005, o crescimento brasileiro anual se manteve em 2,4%, enquanto que o paulista caiu para 1,7%. A estimativa é que entre 2006 e 2010 os índices se aproximem, com um crescimento médio anual de 4,7% no país e 4,8% em São Paulo.

    Essa relativa reação do Estado seria sustentada, na opinião do economista Adriano Pitoli, da Tendências, pela alta taxa de investimento, pelos projetos de infraestrutura e pela expressiva capacidade de atrair investimentos que ainda tem, na comparação com as outras unidades da Federação. A tendência que observamos e que se mantém para o longo prazo é que o Estado cresça abaixo da média do país. Mas não é São Paulo que passou a acompanhar o desempenho brasileiro, e sim as economias dos outros Estados que convergem para a realidade paulista, afirma Pitoli. Estados muito pequenos estão crescendo bastante, seja pela expansão das fronteiras agrícolas, por grandes investimentos em infraestrutura, como em Pernambuco, ou por causa do petróleo. O Rio de Janeiro, por exemplo, ficou durante muito tempo estagnado e agora volta a acelerar com a descoberta de reservas energéticas e com os eventos esportivos em 2014 e 2016, completa Pessoa.

    Ontem, Alckmin se comprometeu a antecipar a data-base do mínimo no Estado até que ela se iguale à nacional em 2014. Cerca de 33 mil servidores públicos em São Paulo que recebem o piso salarial terão o contracheque reajustado em 14,28%, para R$ 720, o que implicará em um impacto de R$ 37 milhões nas contas do Estado, segundo o governador. A receita tributária de São Paulo cresceu 3,7% no acumulado até novembro, segundo a Secretaria Estadual da Fazenda, atingindo R$ 108 bilhões. Até setembro, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cresceu 4,6% no Estado, enquanto que no país o avanço foi de 4,9%.

    O projeto de lei que altera o salário mínimo paulista será encaminhado pelo Executivo à Assembleia Legislativa nos próximos dias.

    Valor Econômico/AC



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