Eco Verde

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  • Postado em 26 de janeiro, 2012


    Abismo ecológico: 50 anos separam Reduc e Comperj

    Quando a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) foi inaugurada, em 1961, não havia legislação ambiental, as águas da Baia de Guanabara estavam mais claras e o foco, basicamente, era crescer e gerar divisas. Hoje, 50 anos depois, algumas leis mais duras e dinâmicas não conseguiram ainda deixar as águas da baía limpas, mas fazem o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) ter preocupações ambientais que eram inimagináveis no passado.

    Ele está sendo construído em Itaboraí, terá duas refinarias, uma petroquímica e deverá ter a sua primeira fase concluída no fim de 2014. O objetivo principal continua sendo o crescimento econômico, mas agora acompanhado de projetos como o plantio de seis milhões de árvores, a redução de emissões, educação ambiental para a comunidade e o inovador uso ou reuso de água de esgoto tratada no resfriamento das caldeiras e na geração de vapor.

    Já a Reduc, primeira refinaria da Petrobras, segue processando 230 mil barris de petróleo por dia, pagando R$ 1,2 bilhão em impostos e assinando sucessivos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC). O último, no fim do ano passado, dá um novo prazo de dez anos para que a empresa se enquadre em padrões mais aceitáveis. Mesmo assim ela continua com a pecha de ser a maior responsável pela contaminação da Baía de Guanabara por metais pesados.

    O professor Emílio La Rovere, da Coppe, acredita que os TACs tornaram a velha refinaria 50% melhor do que era, do ponto de vista ambiental, e acha que ainda falta iniciativa à Petrobras. O Secretário de Meio Ambiente, Carlos Minc, é mais otimista. Ele explica que o último acordo contempla investimentos de R$ 1 bilhão em 48 ações socioambientais. Entre elas, a redução de 90% das emissões de enxofre e de 90% dos lançamentos de efluentes na baía. Itens importantes. Agora, só falta cumprir.

    Água tratada daria para abastecer Niterói

    A região de Itaboraí e São Gonçalo, onde está sendo construído o Comperj é uma das mais carentes de recursos hídricos no Estado. É comum faltar água em várias épocas do ano.

    Assim, a ideia de que um complexo industrial pudesse concorrer por esse recurso escasso sempre foi motivo de preocupação. Entre as hipóteses que chegaram a ser estudadas estavam a dessalinização da água do mar e o reuso da água usada na limpeza de filtros do Guandu. Ambas inviáveis economicamente.

    O tratamento terciário do esgoto na ETE da Alegria, no Caju, e o seu transporte até Itaboraí não são baratos: representam um investimento da ordem de R$ 1 bilhão. Mas trazem benefícios ambientais importantes. O esgoto, que recebe tratamento secundário antes de ser lançado na baía, passará a ter valor e destino. A vazão será de 1.500 litros por segundo ou 47 bilhões de litros por ano.

    O suficiente para abastecer uma cidade como Niterói, com mais de 500 mil habitantes.

    O projeto vem sendo apontado com a maior experiência mundial com reuso de água de esgoto e deve estar pronto no fim de 2014, para a inauguração da primeira fase do complexo industrial. Além de viabilizar uma fonte própria de abastecimento, a Petrobras se comprometeu com o governo do estado a investir R$ 250 milhões na ampliação da disponibilidade hídrica da região.

    De acordo com Minc, os investimentos em ações socioambientais no Comperj devem chegar perto dos R$ 2 bilhões e incluem a compra de equipamentos para a redução das emissões de óxido de nitrogênio (NOx) e o plantio de seis milhões de árvores nativas.

    Além disso, nenhum efluente poderá ser lançado na Baía de Guanabara e nenhum manguezal poderá ser cortado.

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    Cálculos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o mundo tem hoje 27 milhões de trabalhadores desempregados a mais do que tinha em 2007, quando teve início a crise econômica global. A OIT estima que será necessário gerar 600 milhões de empregos ao longo da próxima década.

    Falta catador

    A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em dezembro de 2010, prevê que até 2014, empresas e prefeituras organizem programas de reciclagem. Eles devem valorizar o trabalho dos catadores de lixo, organizando cooperativas e formalizando a atividade. O que a lei não previa é que, com a economia aquecida, esses trabalhadores informais mudassem de ramo. Resultado: está faltando catador. Boa parte deles está sendo absorvida pela construção civil e algumas cooperativas do Rio e de São Paulo já não conseguem entregar para a indústria o mesmo volume de latinhas, plásticos e outros resíduos.

    Madeira Talibã

    Há pouco mais de dois anos, as principais fontes de receita dos talibãs eram o tráfico de armas e a venda de ópio. Ações da Otan, das Nações Unidas e de países aliados acabaram com essas operações. Hoje, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”, os recursos dos talibãs estão vindo, principalmente, da venda de madeira retirada das florestas do Paquistão. Os militantes já teriam dizimado várias áreas da província de Khyber Pakhtunkhwa. A madeira vem sendo vendida no mercado negro a preços irrisórios. Segundo as autoridades paquistanesas, o prejuízo financeiro está sendo calculado em mais de C 270 milhões (cerca de R$ 600 milhões).

    O Globo/AC