Dos Leitores

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  • Postado em 28 de janeiro, 2012


    Uma tragédia e muitas dúvidas

    Como velho engenheiro, me entristece ouvir os pronunciamentos das autoridades, às quais cabem o licenciamento, a fiscalização e o acompanhamento das obras na cidade e, por conseguinte, uma parcela de culpa nas tragédias anunciadas e ocorridas. Por que ainda é possível o início de reformas ou construções sem licenciamento? Por que se permite obras sem o imprescindível acompanhamento competente de um técnico? Por que a inexistência de um único organismo controlador de obras? Por que a Central de Monitoramento da Prefeitura demandou tanto tempo para mobilizar os órgãos de auxílio, apoio e resolução no desabamento? Será que as autoridades sabem que em eventos trágicos como esses é fundamental urgência de start de providências, unicidade de comando e multiplicidade de órgãos de auxílio? Por que as autoridades não sabiam sequer a simples e importantíssima informação de quantos prédios se tratava?

    FRANCISCO ASSUNÇÃO ALVARES PEREIRA

    Rio

    O desmoronamento de três prédios no Centro do Rio pode servir de advertência a nossos governantes. Prefeito, dê o mínimo de seu tempo para reorganizar diversos segmentos de seu secretariado. Não podemos admitir que nenhum serviço de fiscalização funcione na cidade. Estamos vivendo uma bagunça generalizada. Obras feitas por curiosos, sem a devida licença; trânsito sem nenhum agente competente; vans que, no horário de pico, chegam a transportar 20 passageiros agachados, resguardados por vidros escuros, usados apesar de serem proibidos por lei; ônibus que não respeitam os sinais (será que são multados?); construção de novos barracos por toda a cidade etc. Que a prefeitura continue com as obras para a Copa e Olimpíadas, mas que não esqueça o restante da cidade. Agora, só nos resta orar pelas vítimas do desmoronamento e para que a tragédia não caia no esquecimento como tantas outras como a da Região Serrana e a do Morro do Bumba.

    MAURICIO KARAM

    Rio

    Se não houve omissão, houve imprudência. Prédios não caem de maduros.

    VICTOR GERMANO PEREIRA

    São Paulo, SP

    No dia 25, estávamos trabalhando na Almirante Barroso, quando tudo aconteceu. No início, ouvimos as sirenes dos bombeiros sem termos noção do que se passava à nossa volta. Só depois, quando os bombeiros mandaram evacuar o prédio, obrigando-nos a sair, é que percebemos a gravidade da situação. A cena era típica do WTC: escombros no chão, poeira no ar e a perplexidade das pessoas querendo entender o que se passara, com tristeza e vergonha. Tristeza pelas pessoas atingidas, pelo sentimento de como é fugaz a vida, de como ela pode logo desaparecer. Vergonha por saber que nesse país não precisa de aviões para prédios caírem.

    PAULO RICARDO GADELHA PINHEIRO

    Rio

    Nada entendo de gestão pública nem de tecnologia, mas, ao saber dos desmoronamentos na Cinelândia, perguntei-me por que o Estado, tão inchado, não direciona alguns desses funcionários para fiscalizar, eficientemente, concessões e manutenção de obras públicas e particulares. Pagamos altos impostos e os Poderes, em todas as esferas, omitem-se quanto a desmoronamentos. Não cabe ao Estado proteger os cidadãos?

    ESMERALDA ANTÔNIA BACOS FERNANDES

    Rio

    Fala-se das obras irregulares em dois andares do prédio mais alto que desabou. Onde estão os donos da empresa mandante de tais obras, responsáveis diretos pela irresponsabilidade da realização de obras sem o conhecimento e fiscalização do Crea e da prefeitura? Até agora nenhum dono ou diretor dessa empresa apareceu nem para lamentar a perda de seus funcionários. Se bobear, já estão até longe do país.

    MÁRCIA CUNTO

    Rio

    Ao ser questionado, na TV, se a obra tinha registro no Crea, o prefeito Eduardo Paes se esquivou dizendo que era hora de resgatar vítimas (nem precisa dizer, todos sabemos) e chamou de palpiteiros os engenheiros que criticaram a realização de reformas no prédio sem autorização. Não vai demorar muito e o prefeito vai acusar a oposição de querer fazer uso político dessa onda de “atentados terroristas” causada pela ineficiência dos órgãos fiscalizadores. São bueiros explodindo, um prédio que já explodiu na Praça Tiradentes e, agora, mais essa tragédia. Graças a Deus, as duas últimas aconteceram em um horário de pouco movimento. Mas não podemos esquecer que o Rio está em pleno desenvolvimento. Vai ter Copa, Olimpíada e até “atentados terroristas” praticados, não por Bin Ladens, mas pelo Estado, ineficiente para fiscalizar as inúmeras irregularidades.

    MARCOS ANTÔNIO MESQUITA DE SOUZA

    Rio

    Nos países considerados sérios, onde há uma real administração pública, as prefeituras são responsáveis e cuidam da segurança predial, sendo necessários aprovação e acompanhamento dos projetos técnicos. Além disso, os órgãos das classes ligadas à construção têm sua parcela de responsabilidade perante a Justiça com relação à fiscalização da segurança predial. Aqui, no país da corrupção e dos jeitinhos, os síndicos fazem o que querem e os proprietários idem. Não há fiscalização das obras nos prédios e a única coisa que o Crea e a Prefeitura querem saber é se as taxas foram ou não pagas e em nada colaboram para o bem-estar público. É de espantar que não aconteçam coisas piores e com mais frequência, pois as condições para esses tipos de acidentes estão estabelecidas em nosso país há muito tempo!

    RONALDO SARAIVA DE ALMEIDA

    Rio

    A Câmara Municipal promulgou a Lei 2550, em 13 de junho de 1997, tornando obrigatória a autovistoria pelos condomínios de prédios residenciais/comerciais. Porém, em setembro de 1998, o prefeito da época decidiu ajuizar a competente representação de inconstitucionalidade no Poder Judiciário, formulando pedido de suspensão dos efeitos da referida lei. Sem querer entrar no mérito da inconstitucionalidade, o que se verifica é que “rasgam” muitas vezes a Constituição prejudicando a população. Por que, então, também não “rasgam” a Constituição para o bem da população? E aí, atual prefeito, por que não tentar reativar a obrigatoriedade da autovistoria?

    FERNANDO ANTONIO DE MOURA

    Rio

    O desabamento ocorrido no Centro do Rio revela, mais uma vez, o jeitinho brasileiro de burlar a fiscalização. Há alguns meses, explodiu um restaurante na Praça Tiradentes que logo virou caso de polícia. Agora, desabam três prédios no Centro. Mais um caso de polícia. Até quando os infratores continuarão fingindo que estão certos e a fiscalização fingindo que fiscaliza? É lamentável que o preço pago por isso sejam as mortes de inocentes.

    FRANCISCO CUNHA

    Rio

    Individualismo, egoísmo e falta de preocupação com outras pessoas resultam em acidentes e tragédias. Não somente o desabamento dos edifícios no Centro do Rio, mas atitudes diárias como avanço de sinais, a não devolução do troco “a mais” no mercado, a parada em fila dupla prejudicando o trânsito. Enfim, o princípio do “tudo para mim e que se danem os outros” é cultural. O mais desanimador é vermos que esses maus exemplos partem das autoridades e parlamentares, com seus atos desonestos, nunca visando ao bem-estar da população.

    FERNANDO BARREIRO

    Rio

    A desfaçatez do governador para com a população continua. Foi assim na tragédia de Angra e, agora, na da Cinelândia, quando não foi ao local das tragédias ou só foi muito tempo depois, provavelmente instado pela assessoria. Porém, quando a tragédia bateu à sua porta, na Bahia, moveu mundos e fundos deslocando pessoal e equipamentos públicos do Rio para a Bahia, para ajudar nos resgates.

    VIRGILIO ROCHA

    Rio

    Cheiro forte de gás

    Tenho dois restaurantes na Av. Presidente Wilson esquina com a Rua México. Há alguns dias a CEG vem trabalhando em dois enormes buracos. Um deles, com cerca de 40 metros quadrados, fica na frente de um dos estabelecimentos e o outro, em frente ao Ibmec. Tubos e fiações estão expostos, protegidos só por uns tapumes. Por volta das 11h do dia 25, um forte cheiro de gás foi sentido dentro e fora do restaurante. Perguntei aos funcionários da CEG o que estava acontecendo e se tinham consciência de que ali funcionavam dois restaurantes, com fogões. Um deles disse que era um teste. Perguntei por que não avisaram para desligar os equipamentos e responderam apenas que o teste tinha acabado. Quem acredita?

    MARIA FERNANDA SOUSA

    Rio

    Não precisa pompa

    Presidente Dilma, está certo que devemos ter solidariedade com as vítimas do trágico desabamento de três prédios no Centro do Rio, mas privar os trabalhadores da Ilha do Fundão da inauguração tão aguardada da Ponte do Saber é insensibilidade. Se o momento não é para festas, deixe de lado sua vaidade política e libere a ponte para nós, usuários, sem cerimônias pomposas e eleitoreiras.

    ALEXANDER MARCOS VIVONI

    Rio

    Mata-mosquitos

    É assustador saber a maneira como a prefeitura lida com um assunto tão sério como o da dengue, e a resposta dada pela Secretaria de Saúde para esse jogo de cartas marcadas. Ao eliminar a possibilidade de empresas do ramo atuarem no que realmente sabem fazer, deixam a população do Rio vulnerável a uma epidemia de dengue sem precedentes.

    CÉSAR COSTAS BLANCO

    Rio

    Seis por meia dúzia

    Li estarrecida que Garotinho quer Cesar Maia candidato a prefeito contra Eduardo Paes! Quem é Garotinho para querer alguma coisa? Vamos trocar seis por meia dúzia? Cesar fez um péssimo governo e deixou de presente a Cidade da Música, até hoje incompleta, e que ainda está consumindo milhões para ser concluída. E Eduardo Paes só quebra a cidade toda! O Viaduto do Recreio só piorou o trânsito, bloqueado por sinais. Ele enfeita as comunidades, em vez de usar estes milhões nas escolas e hospitais que não funcionam!

    HELENA MARTINS CORREIA

    Rio

    Ressurreição?

    Para concluir o inventário da minha mãe, o cartório fez uma estranha exigência. Para registrar a escritura de partilha de bens, exigiu a renovação das certidões pessoais, que teriam validade de seis meses, incluindo a certidão de óbito. Para o cartório, os defuntos podem, portanto, ressuscitar após seis meses, contrariando sólidas convicções que remetem o evento para o juízo final. Cabe ao leitor inferir o propósito de tal exigência.

    HELIO HERMETO FILHO

    Rio

    Parque do Flamengo

    Solidarizo-me aos que reclamam do abuso de velocidade em áreas de lazer e ressalto a omissão da Guarda Municipal. Até motos e carros são vistos a circular nas pistas internas do Parque do Flamengo. Costuma-se dizer que é preciso aumentar o contingente de homens na rua. Não vai adiantar nada e, talvez, nem seja mesmo necessário, se continuar a notória falta de comando. No Parque do Flamengo, eles são numerosos, mas se mostram desinteressados para com o cumprimento do dever. Circulando em veículos oficiais, invadem passeios e tal. Quando a pé, formam rodinhas de conversas, ao invés de se espalharem para dar a devida cobertura às áreas do parque. Quando se precisa deles, é raro estarem por perto. Quando solicitados, fazem cara de paisagem.

    PATRÍCIA PORTO DA SILVA

    Rio

    Ganhei, e agora?

    Fui sorteado, no final de dezembro, no Cupom Mania com um carro 0km. Seguindo o regulamento do concurso, a Loterj entregou-me a documentação necessária para a transferência do veículo, menos o comprovante de pagamento do Duda e do IPVA/2011 alegando que, por razões orçamentárias, o pagamento seria feito no início deste ano, o que não aconteceu. Decidi pagar a dívida e surgiu outro problema: o Detran/Bradesco não disponibiliza no site a emissão do IPVA/2011. Tentei agendar data para a transferência do veículo e não consigo, pois o sistema alega IPVA em atraso. Já se passaram mais de 30 dias e, agora, terei também que pagar multa, além de não poder transitar com o carro.

    MARCO A. LATTANZI

    Nova Friburgo, RJ

    Troca no Dnocs

    Aplausos à presidente Dilma por sua posição decidida nesse caso do Dnocs. Causa-nos mal-estar ver a luta de políticos para defender, por puro interesse partidário, a manutenção de um gestor sob graves acusações de má administração. A repetição desses casos de má conduta dos administradores da coisa pública já está nos deixando desanimados e envergonhados. Isso repercute no exterior e degrada muito a imagem do país. É tempo de dar um basta a tanta corrupção.

    JOSÉ FAÇANHA MAMEDE

    Rio

    Malfeitores de toga

    Diante da divulgação pela mídia, em especial nos últimos dias, de “malfeitos” praticados por membros do Judiciário, é de se imaginar que, efetivamente, por trás de algumas togas, há muita corrupção, pagamentos de vantagens indecorosas, adiantamentos absurdos. Como disse a ministra corregedora do STJ, Eliana Calmon, muitos bandidos. Esperemos que as denúncias da ministra não sejam em vão.

    FERNANDO ANTONIO COZZOLINO

    Rio

    Donos de celulares

    Considero inusitado o fato de não termos acesso a qualquer dado de um dono de telefone celular. A telefonia fixa nos dá todas as informações. Por que a móvel não? Na internet, existem milhares de pessoas querendo esses dados não informados pelas operadoras nem pela Anatel. Ficamos nas mãos de um monte de salafrários, que simplesmente não existem como cidadãos através dos números dos celulares. É como se as telefonias estivessem preservando esse tipo de gente, porque as pessoas de bem não se importam de seus nomes serem identificados em seus números de telefones. Essa é uma distinção que não tem lógica e, sendo assim, não tem explicação.

    SOLANGE DELOCCO COUTINHO

    Rio

    O Globo/AC