Disputa em aberto

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  • Postado em 20 de janeiro, 2012


    Com o prestígio em queda, o ex-governador Mitt Romney vê o rival Newt Gingrich ganhar fôlego para vencer na primária da Carolina do Sul. Escândalo pode roubar votos do ex-porta-voz da Casa Branca

    » Renata Tranches

    Os pré-candidatos republicanos disputam hoje a primária da Carolina do Sul em meio a um cenário totalmente indefinido. As reviravoltas do partido abalaram o favoritismo do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney e impulsionaram o nome do ex-porta-voz da Casa Branca Newt Gingrich, que ultrapassou o rival nas pesquisas de intenção de voto no estado. No entanto, a declaração da ex-mulher de Gingrich de que ele teria proposto “casamento aberto” foi usada durante um duro debate na quinta-feira e o deixou em posição de vulnerabilidade ante seu eleitorado conservador. Para cientistas políticos norte-americanos ouvidos pelo Correio, a corrida pela vaga presidencial na oposição chegou a um acirramento inédito e deve continuar assim até, pelo menos, a “Superterça”, em 6 de março, quando importantes estados realizam as prévias em um único dia.

    Diversas pesquisas divulgadas ontem nos Estados Unidos mostravam a vantagem de Gingrich. Segundo o site Real Clear Politics, Gingrich liderava com 32,5%, e Romney vinha em seguida, com 31,5%. Em entrevista à rede de tevê CNN, Stuart Stevens, um dos estrategistas de Romney, reconheceu as chances de uma derrota hoje. Desde o início da disputa, analistas têm alertado que a conservadora Carolina do Sul seria um desafio para o ex-governador de Massachusetts, considerado um político moderado demais para o Partido Republicano. Mesmo assim, ele liderou as intenções de voto por vários dias.

    Para o cientista político Richard Fording, da Universidade do Alabama, com a desistência dos candidatos Jon Huntsman e Rick Perry começa o teste real para os principais nomes. “Foi interessante ver que, ao declarar apoio a Gingrich, Perry deu um grande impulso à campanha do pré-candidato”, afirmou. Ao sair da disputa na segunda-feira, Huntsman, por sua vez, passou a apoiar Romney. Com o endosso dos ex-candidatos, migram também os votos dos eleitores.

    Gingrich soma a seu favor um bom desempenho nos debates, principalmente nos ataques a Romney, e a identificação dos eleitores da Carolina do Sul. “Acho que Gingrich vencerá amanhã (hoje)”, arriscou o cientista político William Cunion, da Universidade de Mount Union (Ohio). Com uma vitória, Gingrich ganha fôlego para permanecer como uma alternativa viável até, pelo menos, 6 de março, quando vários estados realizam suas primárias simultaneamente.

    Polêmicas

    Mas ao mesmo tempo em que Gingrich cresce na campanha, polêmicas envolvendo sua vida pessoal podem lhe custar votos. Em entrevista ao programa News Nightline, da rede de tevê ABC, a ex-mulher do republicano Marianne Gingrich acusou-o de ter proposto a ela um relacionamento aberto quando ainda eram casados. A sugestão foi feita após o político revelar ter um caso com Callista Bisek, à época sua assistente no Congresso, hoje sua mulher.

    No debate de quinta-feira à noite realizado pela tevê norte-americana CNN, Gingrich se mostrou irritado quando o moderador John King abordou o tema em sua pergunta inicial. “Estou horrorizado por você começar um debate presidencial com um assunto como este”, respondeu Gingrich. A tensão deu o tom do que seriam as duas horas de bate-boca entre os quatro oponentes – além de Gingrich e Romney, seguem na disputa o ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum e o congressista do Texas Ron Paul. Rochard Fording disse acreditar que a história envolvendo a ex-mulher poderá custar votos para Gingrich hoje. Mas Cunion afirmou que muitos dos eleitores já conheciam o escândalo. “Os eleitores não se surpreenderam tanto com o fato de ele ter um “esqueleto no armário””, ponderou Cunion. Os dois concordam que, apesar da atual desvantagem, Romney segue como favorito para desafiar o presidente Barack Obama em 6 de novembro.

    Suposto adultério tirou Cain da disputa Outra polêmica envolvendo um caso extraconjungal tirou o pré-candidato republicano Herman Cain da disputa antes do início do processo eleitoral do Partido Republicano, em dezembro. Cain decidiu suspender a campanha após ter sua imagem abalada por acusações de adultério. Várias mulheres disseram ter sofrido assédio sexual do político. Uma delas afirmou ter mantido um relacionamento intermitente de 13 anos com Cain.

    Correio Braziliense/AC



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