Dilma promete fazer o possível e o impossível para corrigir o Enem

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    Haddad deixa o MEC para disputar eleição e é substituído por Mercadante

    André de Souza, Catarina Alencastro, Demétrio Weber, Luiza Damé

    opais@oglobo.com.br

    Gustavo Miranda

    MUDANÇAS

    BRASÍLIA. Na posse dos ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Antonio Raupp (Ciência e Tecnologia), a presidente Dilma Rousseff reconheceu que o governo comete falhas, ao defender novamente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O teste foi o principal programa da gestão de Fernando Haddad, que deixou o MEC ontem para disputar a prefeitura de São Paulo pelo PT. A presidente prometeu que fará “o possível e o impossível” para mudar o que está errado no Enem.

    Dilma pregou a parceria entre Educação e Ciência e Tecnologia. E disse que a missão do Ministério da Ciência e Tecnologia é construir o casamento das empresas com as universidades para desenvolver a pesquisa científica.

    A presidente abriu o discurso fazendo uma “saudação especial” ao ex-presidente Lula e disse que era uma honra recebê-lo pela primeira vez no Palácio. Na realidade, Lula já estivera no Planalto após deixar o cargo, no velório do ex-vice-presidente José Alencar, em março do ano passado. Dilma disse que “o retirante do Nordeste” foi responsável por mudar a história e a trajetória da educação no Brasil.

    – Não estou fazendo a defesa do Enem por nenhum princípio de teimosia, mas é porque ao fazê-lo estou defendendo o ProUni, o ReUni e o Ciência sem Fronteiras. Agora, pode ter certeza de que faremos tudo para cada vez melhorar mais o Enem. O possível e o impossível – disse, referindo-se a programas de ampliação do acesso ao ensino superior.

    Dilma: “A gente fica um bando de chorões”

    A presidente comparou o Enem a uma criança, que precisa de acompanhamento e correção de rumo para evoluir. Segundo Dilma Rousseff, num programa que atende uma média de quatro milhões de alunos por ano, é difícil não haver erros:

    – Nenhum de nós é soberbo de achar que um projeto que se faz nasce perfeito. Ele precisa do teste da realidade, da tentativa e erro. Agora, há que reconhecer que, para fazer um processo que abrange milhões de pessoas, é inevitável que nos primeiros tempos você tenha alguns desvios. E esses desvios, temos a humildade de reconhecer e de corrigir. Somos um governo de homens e mulheres e, portanto, passível de cometer suas falhas.

    Após discursos emocionados de Haddad e Mercadante, Dilma, que tem fama de durona, reconheceu que também poderia chorar. Mercadante, que nunca conseguiu ser ministro de Lula, perdeu a voz ao rememorar a trajetória de lutas ao lado do ex-presidente. Já Haddad quase chorou ao falar do impacto dos programas do MEC na vida da população.

    – Com o passar do tempo a gente fica um bando de chorões. O ministro Haddad chorou praticamente, o ministro Mercadante… Eu também posso ser obrigada, por não conter as lágrimas, o chorar. Aliás, o presidente Lula sempre me disse: pode chorar que não faz mal nenhum – afirmou Dilma.

    Segundo Dilma, o governo Lula iniciou a integração da Educação e da Ciência e Tecnologia. Ao defender a expansão dessa parceria, disse que estava especialmente “casadoira” ontem.

    – Estamos celebrando um casamento entre a Educação e Ciência e Tecnologia, mais uma vez. A grande característica do projeto que eu dou continuidade, e que o presidente Lula colocou em prática, é o fato de termos de dar conta de atividades tão complexas quanto melhorar a qualidade de vida da população brasileira, através da distribuição de renda, e buscar fazer com que o nosso país consiga chegar o mais rápido possível àquelas produções científicas, à economia do conhecimento e à capacidade de agregar valor à sua produção – disse.

    Em seu discurso de despedida, Haddad disse que a educação é a chave para o crescimento, mais até do que o petróleo. E afirmou que está em curso no país uma “revolução silenciosa” na área do ensino.

    – O Brasil despertou para a educação. Sabe que o seu desenvolvimento depende desse investimento. Não há futuro com petróleo, minério, riquezas naturais. O nosso futuro passa por educação, ciência, tecnologia, inovação – afirmou.

    Ele desejou boa sorte a Mercadante e indicou o caminho da continuidade:

    – Se o Brasil mantiver o curso, mantiver o pulso, vamos erradicar a pobreza, educar a nossa gente, garantir oportunidades para todos .

    Mercadante lembra convivência com Lula

    Com humor e um pouco de emoção, Mercadante falou de décadas de convivência com Lula e brincou com a fama de durona da presidente, ao dar conselhos a seu sucessor.

    – Nesses 30 anos , o senhor (Lula) plantou sementes pelo país inteiro. Sementes de esperança, de dignidade, sementes de cidadania, de liberdade. Sementes que estão fazendo este país florescer – disse Mercadante, embargando a voz.

    Dilma Rousseff disse que o novo ministro da Educação é um exemplo de bom gestor e destacou que Aloizio Mercadante “é obstinado e obcecado pelo que faz”. A Marco Antonio Raupp, Dilma deu a missão de construir a ponte entre as empresas e as universidades para o desenvolvimento de pesquisas científicas.

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    /pais

    O Globo/AC



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