Depoimentos

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Resgate no terraço do prédio vizinho

    Cláudio de Taunay, advogado de 33 anos, preparava-se para deixar o escritório em que trabalha, no 16º andar do Edifício Capital, ao lado do Edifício Liberdade, quando ouviu um forte estrondo. “Era como se tivesse ocorrido uma batida de avião”, contou. Assustado, desceu pelas escadas, mas, ao chegar ao sétimo andar, havia escombros que impediam a passagem, além de um forte cheiro de gás. “Pensei que o prédio fosse cair”, disse, acrescentando que voltou à sala em que trabalha para pegar documentos e, de lá, subiu para o terraço. “Havia cerca de 30 pessoas lá e fomos salvos pelo Corpo de Bombeiros, que colocou uma escada.”

    Avisada por um bombeiro

    Filha do porteiro de um dos prédios que desabaram no Centro do Rio, Sandra Maria Ribeiro foi surpreendida ontem pela ligação de um bombeiro que encontrou o celular com uma das vítimas. O aparelho estava no bolso de Cornélio Ribeiro Lopes, 73 anos, pai de Sandra e um dos mortos no desmoronamento. Cornélio trabalhava e morava no Edifício Liberdade havia 20 anos. A atual mulher dele, Margarida Carvalho, também estava no local quando as estruturas ruíram.

    “Ela não se despediu”

    De casa, Vitor Fonseca Lima falava pelo MSN com a mulher, Alessandra Alves Lima, quando a comunicação pela rede de bate-papo caiu. Pouco depois, soube da tragédia no Centro do Rio de Janeiro e correu para o local em busca de notícias da analista de sistemas. Alessandra, segundo ele, estava no 14º andar do maior prédio envolvido no acidente. “Liguei (para o celular) e ninguém atendia, não consegui mais falar, ela não tinha saído, ela não se despediu, não falou nada, estou desesperado, preciso saber se ela está lá ainda”, repetia Vitor, próximo aos escombros dos edifícios.

    Ligação sob os escombros

    Soterrado nos destroços dos três prédios que desabaram, o biólogo Flávio Porrozzi conseguiu ligar na madrugada de ontem para a namorada. Segundo Ricardo Porrozzi, padrinho do biólogo, ele só conseguiu dizer “oi, amor”. A ligação caiu em seguida, mas mantém acesa as esperanças dos familiares de encontrá-lo vivo. “Por tudo que aconteceu até agora, não posso deixar de acreditar”, diz Ricardo. De acordo com ele, no momento do acidente, o afilhado participava de uma palestra de informática com técnicos da Petrobras.

    Catadora perde sobrinho, mas escapa

    A catadora de materiais recicláveis Vera Lúcia dos Santos Freitas escapou por pouco do desabamento. Ela estava no ponto de recolhimento de produtos descartados em frente ao Edifício Liberdade quando sentiu pedaços de reboco caindo em sua cabeça. “Olhei e vi que o prédio estava vindo abaixo. Só tive tempo de correr, tudo ficou escuro. Não tive mais notícias do meu sobrinho nem dos outros três, Margarida, Marlene e uma senhora gorda que chamamos de “paulista”. Tenho medo que estejam sob os escombros”, contou, pouco antes de ser informada que seu sobrinho, Moisés Moraes Silva, estava entre os mortos.

    Deu no

    Copa em xeque

    Jornais e agências internacionais divulgaram os desabamentos com severas críticas à infraestrutura do Rio de Janeiro. O contexto avaliado foi a proximidade de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que serão sediados pela cidade. Financial Times “O desabamento de três prédios no Centro do Rio de Janeiro na quarta-feira à noite – deixando pelo menos 19 pessoas desaparecidas – levanta novas questões sobre a infraestrutura da cidade que se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.” Assim começa o texto do blog Beyond Brics, do jornal britânico The Financial Times, sobre a tragédia ocorrida na capital fluminense. Publicado na tarde de ontem, o texto ressalta ainda que o evento deveria servir como uma pausa para aqueles que dizem que o recente crescimento econômico do Brasil permitiu ao país deixar seu status de “mercado emergente”. Segundo o blog, o país deveria lidar com uma “pesada herança do passado”.

    The New York Times

    De acordo com o site do jornal norte-americano, “o mais recente incidente reforça a incapacidade de autoridades (brasileiras) em melhorar a infraestrutura da cidade em meio aos preparativos para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas”. O texto lembra ainda a explosão de um restaurante no Rio no fim do ano passado, e reforça a ocorrência de “explosões inesperadas” em esgoto e deslizamentos de terra em favelas da cidade.

    Theguardian

    O jornal britânico citou pessoas que buscam informações sobre parentes sob os escombros e lembrou que o acidente ocorreu em uma área que abriga um ponto turístico da cidade. “O desastre aconteceu junto a um dos pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro – o Theatro Municipal -, onde Barack Obama discursou em março passado” e “a poucos minutos de caminhada do Bairro da Lapa, popular entre turistas e amantes da música”.

    Correio Braziliense/AC



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