Custo de desapropriações trava avanços de obras da Copa

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    No caminho dos tratores e máquinas pesadas, processos complicados de desapropriação de imóveis travaram o avanço de parte das obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. A prefeitura de Belo Horizonte foi quem mais enfrentou esse tipo de problema. Há dificuldades também no Recife e em Cuiabá.

    Na capital mineira, o projeto de construção de um BRT na avenida Pedro II foi abandonado, devido aos altos custos de desapropriação. As autoridades municipais calculavam gastar R$ 84 milhões com indenizações de imóveis. Levantamento concluído no ano passado elevou o valor para mais de R$ 120 milhões.

    O metro quadrado em Belo Horizonte explodiu com o boom da construção civil. Os lotes se valorizaram demais, diz o secretário de Obras e Infraestrutura, Murilo Valadares. Por causa da dificuldade em arcar com esse custo, a prefeitura optou por fazer um corredor com pistas exclusivas para ônibus, mas sem estações de embarque com pagamento antecipado e ambiente climatizado, que caracterizam o BRT.

    Valadares justifica a decisão de mudar o projeto também pelo fluxo menor de passageiros, em comparação com os outros três sistemas rápidos de ônibus previstos para Belo Horizonte, dois dos quais já têm obras em andamento. Como o orçamento do projeto da avenida Pedro II foi reduzido – dos R$ 146 milhões originais para R$ 22 milhões -, o município decidiu reforçar o número de estações nos sistemas de BRT Cristiano Machado e Antônio Carlos/Pedro I, mantendo os investimentos totais com obras de mobilidade em R$ 1,5 bilhão.

    Em menor grau, as autoridades de Pernambuco também enfrentaram problemas com desapropriações para acelerar a construção do Terminal Integrado Cosme e Damião, na divisa entre Recife e São Lourenço da Mata, a caminho da Cidade da Copa. De acordo com Danilo Cabral, titular da Secretaria das Cidades, os processos de desapropriação serão concluídos nos próximos dias. Estamos concluindo um acordo com os donos dos imóveis e deveremos pagar todo mundo até a última semana de janeiro, assegura o secretário.

    Ao todo, 72 imóveis foram afetados, com indenização prevista de R$ 2,9 milhões. Apesar de a ordem de serviço ter saído há mais de dois meses, as obras só devem começar em fevereiro, quando o governo espera desocupar a área. O terminal unirá os sistemas de ônibus do Recife, dando acesso à Arena Pernambuco, em construção no município vizinho. A conclusão das obras deve ocorrer entre novembro de 2012 e janeiro de 2013, segundo Cabral.

    No Rio, o traçado do Transcarioca – via de ligação entre o aeroporto do Galeão e a Barra da Tijuca – é foco de polêmica entre duas comunidades, que rejeitam as propostas de desapropriação oferecidas pela prefeitura. Um dos mais tradicionais colégios da zona norte da cidade, o Pio XI, já protestou contra a possibilidade de perder até 40% de sua área para a passagem do BRT.

    A controvérsia opõe moradores de Ramos e de Olaria. Ambos pressionam a prefeitura e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para não serem afetados. A Transcarioca requer investimento total de quase R$ 1,6 bilhão e as desapropriações podem superar 3.000 imóveis. As obras devem ser concluídas em novembro de 2013.

    Valor Econômico/AC



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