Criação de vagas recua 23,3%

  • Português
  • English
  • Postado em 24 de janeiro, 2012


    » CRISTIANE BONFANTI

    O Brasil registrou a abertura de 1,94 milhão de vagas formais em 2011. Embora o número seja considerado excepcional pelo governo, frente ao ambiente de crise econômica internacional, ele representa um recuo de 23,3% em relação ao total de 2,54 milhões de postos com carteira assinada criados em 2010. Somente em dezembro último, foram fechadas 408,1 mil vagas, resultado semelhante ao do mesmo mês de 2010, quando houve cortes de 407,5 mil empregos.

    Na avaliação de especialistas, apesar da queda, o mercado de trabalho continua aquecido. Não por acaso, o resultado de 2011 é o segundo melhor da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), iniciada em 1992 pelo Ministério do Trabalho. Em 2007, antes da crise deflagrada pelo estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, a abertura de vagas formais somou 1,89 milhão. Nos dois anos seguintes, chegou a 1,66 milhão e a 1,29 milhão, respectivamente.

    Fernanda Consorte, economista do Santander, observou que, com uma taxa de desemprego no patamar mais baixo da história, de 5,2%, o mercado brasileiro não tem mais espaço para avançar. “De janeiro de 2010 até agora, a média foi de criação de 154 mil vagas por mês. É muito positivo. Como você não tem mais tantos desocupados para contratar nem postos para serem abertos, o ritmo de crescimento acaba diminuindo”, observou.

    Restrição

    Bruno Fernandes, economista da Confederação Nacional de Comércio (CNC), avaliou que a queda no ritmo de criação de vagas reflete, principalmente, as medidas de restrição ao crédito anunciadas pelo governo no início do ano passado para desacelerar a economia. “Vimos que o Natal foi mais fraco e que os anúncios surtiram efeito na redução do consumo, como o próprio Banco Central queria”, ressaltou.

    O setor de serviços liderou a abertura de vagas formais ao longo de 2011, com 925.537 postos. Depois dele, destacaram-se áreas como comércio (452.077), construção civil (222.897) e indústria de transformação (215.472). As unidades da Federação que mais geraram empregos foram São Paulo (551.771), Minas Gerais (206.402) e Rio de Janeiro (202.495). No Distrito Federal, que ficou em 11º lugar, o saldo foi de 29.583 postos. Em 2011, os salários médios de admissão chegaram a R$ 916,63, um aumento de 3,12% em relação à média de R$ 888,89 apurada em 2010.

    Indústria patina

    A indústria começou 2012 mergulhada em problemas: os estoques estão muito elevados e os níveis de atividade, em queda. Daí, a redução do número de vagas deve persistir. As vendas fracas passaram a ser um dos principais obstáculos ao setor, o que sugere a manutenção da queda na produção nos primeiros meses de 2012, avaliou ontem Renato Fonseca, gerente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao divulgar os dados da Sondagem Industrial coletados entre de 2 e 18 de janeiro.

    Correio Braziliense/AC