Crescimento chinês fica em 9,2% em 2011; e deve ficar em 8% este ano

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  • Postado em 17 de janeiro, 2012


    Resultado do quarto trimestre foi o menor em dois anos e meio e sinaliza enfraquecimento em 2012

    A economia chinesa cresceu 9,2% em 2011, apontando desaceleração em relação à expansão de 10,3% no ano anterior, segundo dados divulgados ontem pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China.

    No quarto trimestre de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático apontou crescimento de 8,9% – resultado mais fraco em dois anos e meio -, indicando uma desaceleração ainda mais profunda nos próximos meses, na medida em que diminui a demanda por exportações e o mercado imobiliário enfraquece. O desempenho no período foi influenciado pelas turbulências na Europa e nos Estados Unidos.

    Paralelamente, ocorre uma alteração de comportamento no país asiático. Pela primeira vez na história recente da China, a população urbana ultrapassa a rural em números. De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas, 51% da população total chinesa – de 1,3 bilhão – estavam morando em zonas urbanas no fim de 2011 – um ponto percentual a mais do que no ano anterior.

    A China é historicamente uma sociedade baseada no setor rural, mas nas últimas três décadas o rápido crescimento econômico e a industrialização levaram milhões de pessoas às cidades.

    “A desaceleração não é assustadora, portanto nós não vamos ter uma grande suavização das políticas econômicas”, afirmou Kevin Lai, economista com Daiwa em Hong Kong.

    Com a Europa em perigo de entrar em recessão e o crescimento dos Estados Unidos mais fraco, o papel da China na economia global é ampliado. Apesar de os economistas preverem que o crescimento da China em 2012 será o mais fraco em uma década, uma desaceleração maior colocaria um obstáculo a mais em um crescimento global já afetado.

    Alguns analistas acreditam que o crescimento no primeiro trimestre de 2012 será abaixo de 8%, o que é visto como o mínimo para garantir uma criação de empregos suficiente. “Há mais desaceleração pela frente”, afirmou o analista da Capital Economics Mark Williams, antes da divulgação dos dados do quarto trimestre. “A demanda europeia por produtos chineses já está baixa e é provável que continue reduzida. A perspectiva para a construção civil – um décimo do PIB-é potencialmente uma preocupação ainda maior.”

    Outros dados da China retrataram um cenário misto da economia. As vendas no varejo cresceram 18,1% em dezembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A produção industrial também superou as expectativas, subindo para 12,8% na comparação anual.

    Por outro lado, o investimento em construção de imóveis registrou forte queda em dezembro, e muitos incorporadores alertaram que 2012 deverá ser um ano difícil. Reuters e ABr

    Brasil Econômico/AC