Com estratégia de valor, Guepardo aposta em ações fora do Ibovespa

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Para além das carteiras concentradas em papéis de energia e de dividendos, os fundos da Guepardo Investimentos, abertos a todos os tipos de ações, conseguiram retornos acima de 12%.

    O fundo Alfa Total Guepardo, que também integra o ranking, é administrado pelo Banco Alfa, mas aloca a maior parte de seus recursos no fundo Guepardo FIC FIA.

    Parte do bom desempenho dos fundos da asset independente veio da alocação bem-sucedida em Brasil Foods (BRF), papel que permeia cerca de um terço da carteira e apresentou valorização de 36% no ano passado.

    Além da empresa do setor de alimentos, os únicos nomes da carteira que estão no Índice Bovespa são o Itaú Unibanco e sua controladora, a Itaúsa.

    A aposta em empresas que não estão no Ibovespa também ajudou o fundo a fugir do marasmo do índice. Temos uma estratégia de longo prazo, concentrada na história e no negócio da empresa, explica Pedro Ozores, sócio da Guepardo responsável pelo relacionamento com investidores.

    De acordo com ele, o foco é na companhia e não no setor. Os recursos do fundo são alocados entre cinco e quinze empresas, que permanecem, em média, por dois anos e meio na carteira.

    Conhecemos as empresas e analisamos cada uma delas muito de perto. Viramos realmente sócios, afirma o executivo. E há boas oportunidades, muitas vezes ignoradas pelos grandes bancos.

    Para mitigar o risco na negociação de papéis com menor giro, a asset faz um controle rígido da liquidez. Em primeiro lugar, explica Ozores, são estabelecidos cenários de estresse, tanto para o volume de negociações das ações quanto para os resgates dos cotistas.

    Com base nesses cenários, a gestão estabelece o porcentual de alocação que julga confortável para cada um dos de papéis. Além disso, os resgates dos cotistas têm de ser comunicados com 30 dias de antecedência.

    Uma das maiores alocações do fundo está a Le Lis Blanc, empresa do setor de vestuário, cujas ações subiram 60% em 2011.

    A concessionária de rodovias OHL é outra grande posição da asset fora do índice de referência da bolsa. Os papéis da empresa recuaram pouco mais de 5% em 2011.

    Apesar do recuo, Ozores acredita no potencial de valorização da empresa. A OHL tem um modelo de negócio bem orientado, a demanda está relativamente protegida da crise internacional e a geração de caixa é previsível.

    A procura por bons padrões de governança é outro norte do fundo. Entramos na história da empresa. Eventualmente, se acharmos que podemos agregar valor, podemos ter assento no conselho da companhia.

    Atualmente, a Guepardo tem cadeiras no conselho da fabricante de produtos de saúde e higiene pessoal Cremer e na Bematech, que desenvolve sistemas para automação comercial.

    Ainda na carteira da asset, estão a Tegma, de logística, e o laboratório Fleury. (NV)

    Valor Econômico/AC



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