China planeja investir mais no setor de infraestrutura do Brasil

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  • Postado em 17 de abril, 2015


    O Brasil vive a terceira onda de investimentos da China, agora voltados para infraestrutura e energia, apontam especialistas. O foco dos recursos chineses passou de matéria-prima no fim dos anos 90 e início do século XX, para a indústria a partir de 2005, e agora chega a dois setores estratégicos para a economia brasileira. Com ampla experiência em investimentos em infraestrutura – que foram o motor do forte crescimento chinês dos últimos anos – o país asiático agora está de olho nas oportunidades nessa área aqui.

     Quem procura a embaixada em Pequim atualmente está interessado principalmente ferrovias, energia e indústria automobilística, diz o chefe do setor de Promoção Comercial e de Investimentos da embaixada brasileira na China, Guilherme Belli. Na visita de Xi Jinping, foi assinado um memorando de entendimentos na área. Em agosto, a China Railway Eryuan Engineering Group Co (CREEC, na sigla em inglês) foi qualificada para desenvolver um estudo de viabilidade técnica para o trecho entre Sapezal (MT) e Porto Velho (RO) da ferrovia Transoceânica, cujo projeto é ligar o Brasil ao Pacífico.

     “Há uma espécie de evolução dos investimentos chineses no Brasil. Já estamos vendo uma terceira fase, sem que as demais tenham se esgotado. Isso começou em energia, com a State Grid, e agora há muito interesse em ferrovias. Os chineses estão esperando pelos leilões”, afirma Belli. “As empresas chinesas têm ido ao Brasil para conhecer a legislação, mas estão aguardando a realização dos leilões e licitações. Todos os grandes grupos de ferrovias da China querem atuar no Brasil, desde o fornecimento de vagões e locomotivas a construção e administração de ferrovias”, diz Belli.

     O setor é que o eles chamam de win-win situation, explica o diplomata: há o ganho pelo investimento na área e também as vantagens de se ajudar a construir uma logística mais barata e eficiente no Brasil para o escoamento de produtos para a China.

     A percepção desse potencial de investimentos chineses na área de infraestrutura é tão grande que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) montou, há um ano, um escritório na China. A ideia é ajudar a buscar esses investidores e, ao mesmo tempo, explicar quais são as oportunidades hoje no país e o funcionamento do mercado brasileiro, além de funcionar como um elo entre as empresas brasileiras e chinesas.

     “O Brasil tem uma necessidade de quase R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura e projetos urbanos. As empresas chinesas estão interessadas e com bastante apetite para essas oportunidades”, afirma José Mario Antunes, executivo responsável pelo escritório da CNT em Pequim.

     Fonte: O Globo

     



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