Chances de achar sobreviventes são remotas

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Defesa Civil estadual admite não ter mais expectativas de encontrar vítimas vivas entre os escombros dos prédios

    Entorno foi fechado; Theatro Municipal, que teve bilheteria e anexo afetados, fará vistoria para analisar danos

    Juca Varella/Folhapress

    Máquinas retiram escombros e equipes de resgate procuram mais vítimas do desabamento aos fundos do Theatro Municipal do Rio, no centro

    Após vinte quatro horas de um trabalho ininterrupto de resgate, os cerca de 400 homens envolvidos nas tentativas de salvar as vítimas do desabamento dos três prédios na noite de quarta, no centro do Rio, tinham poucas esperanças de achar sobreviventes.

    Até a conclusão desta edição, estimava-se em 22 as pessoas ainda soterradas. Cinco corpos haviam sido retirados.

    “Não há mais expectativas de sobreviventes”, admitiu o coronel Sérgio Simões, secretário estadual de Defesa Civil.

    Ao longo do dia, segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana, foram recolhidas 17 mil toneladas de entulho. À noite ainda se via uma nuvem de poeira.

    Dois cofres foram achados e levados para a Polícia Civil, que abriu inquérito para investigar as causas do desabamento. Eles podem ser da agência bancária do Itaú que funcionava em um dos prédios, mas o banco não revelou se lá havia dinheiro. Seis pessoas já foram ouvidas pela polícia.

    A área do entorno foi fechada ao tráfego de pedestres e veículos. Três prédios vizinhos foram interditados preventivamente, enquanto os imóveis da calçada oposta também foram fechados para evitar a circulação de pessoas em meio às máquinas.

    No edifício de número 13 da avenida 13 de Maio, o administrador do condomínio, Antônio Marcos Oliveira, colocou um funcionário à disposição para buscar objetos e documentos nos escritórios.

    FERIDOS

    Dos seis feridos no desmoronamento, apenas Cristiane Carmo, 28, que teve um corte profundo na cabeça, estava internada. Operada, foi transferida para uma casa de saúde particular e não corre risco de morte.

    Nos relatos de quem presenciou a queda, uma referência era constante: o atentado de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center, em Nova York.

    “Pensei naquele prédio dos Estados Unidos, foi uma sensação muito estranha”, disse o decorador Gilberto Figueiredo, 33, que trabalhava na obra do 9º andar do edifício Liberdade -suspeita de ter causado o desabamento.

    “Achei que era um terremoto. A luz, a televisão, ficou tudo aceso”, afirmou Sergio Luiz Bueno, morador do prédio de frente aos que ruíram.

    O advogado Roberto Timbó perambulou durante horas tentando voltar para seu escritório, em um dos prédios da avenida 13 de Maio.

    “Não quero ficar lá. Preciso apenas pegar meu computador portátil”, disse.

    No Theatro Municipal, a bilheteria e o prédio anexo foram as únicas áreas visivelmente atingidas, mas a diretora da instituição, Carla Camurati, decidiu pedir uma vistoria ao corpo técnico.

    “Dentro de uma catástrofe desse quilate, podemos dizer que fomos poupados”, disse.

    Folha de S. Paulo/AC



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