Celso Ming

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  • Postado em 24 de janeiro, 2012


    Celso Ming

    Mudanças na Petrobrás

    A troca na direção da Petrobrás está sendo vendida ao distinto público como manobra do atual presidente, José Sérgio Gabrielli, de modo a melhor se posicionar para concorrer ao posto de governador do Estado da Bahia. Para isso, ele assumirá, avisam, importante secretaria do governo baiano, conduzido hoje por Jaques Wagner.

    Se fosse para atender aos objetivos políticos de Gabrielli, seria uma substituição prematura e equivocada. As eleições dos governadores só acontecerão em outubro de 2014 e, se sua saída da Petrobrás fosse para cacifar essa candidatura, Gabrielli perderia notoriedade – o que é essencial para um futuro candidato a cargo de governador. Teria mais exposição pública enquanto presidente da Petrobrás do que à frente de qualquer secretaria do governo da Bahia.

    A substituição de Gabrielli pela atual diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, é decisão da presidente Dilma Rousseff. O que ainda não está claro é o plano inteiro do qual essa mudança faz parte.

    Aparentemente, a presidente Dilma não está satisfeita nem com as escolhas da atual administração da Petrobrás nem com seus resultados. Em maio, seu governo rejeitara duas vezes o Plano de Negócios 2011-2015 da Petrobrás, alegadamente porque suas metas “não eram realistas”.

    Os projetos de investimento da Petrobrás estão atrasados e são raros os cronogramas que vêm sendo cumpridos. Em parte, isso está acontecendo porque a empresa não consegue coordenar eficientemente sua cada vez maior rede de fornecedores, hoje defendidos pelas exigências de conteúdo local – cláusula que eleva custos e prejudica o andamento dos investimentos.

    Está cada vez mais difícil separar o que é tarefa grande demais – até mesmo para uma empresa do tamanho da Petrobrás – e o que pura e simplesmente resulta da baixa eficiência de uma pesada administração estatal, loteada entre próceres da base política do governo Dilma.

    As decisões do novo marco regulatório do petróleo exigem que a Petrobrás integre os consórcios de todas as novas licitações do pré-sal com participação mínima de 30% e que ela seja a empresa operadora em todas elas. Isso significa que todo o programa de licitações tem de esperar até que a Petrobrás esteja em condições de assumir novos contratos de exploração.

    Além disso, desde a administração Lula, o governo federal tem exigido que a Petrobrás participe intensamente do setor de geração de energia elétrica; que lidere o segmento produtor de etanol; que execute políticas de boa vizinhança de alto custo com Bolívia, Argentina e Venezuela; e que concorra com seu caixa para a política anti-inflacionária interna, não importando o impacto de todo esse jogo no seu faturamento e na sua capacidade de investir. Enfim, é areia demais para o caminhãozinho da Petrobrás.

    Mas não está claro o que a presidente Dilma Rousseff quer mudar em toda essa carga e que poderes terá a nova presidente da Petrobrás, Maria das Graças, para formatá-la a esses planos.

    O índice CRB, um dos principais medidores de preços do segmento de commodities, não aponta mais para a baixa, como projetavam alguns técnicos do Ministério da Fazenda. Em janeiro (até esta segunda-feira) acumulou alta de 2,7%.

    Rei morto, rainha posta. A Bolsa parece ter gostado da troca de Gabrielli por Maria das Graças à frente da Petrobrás. Nesta segunda, depois de um início de pregão vacilante e em baixa, as ações ordinárias da empresa se valorizaram 3,6% e as preferenciais, 3,8%. Falta saber qual é a aposta prevalecente do mercado.

    O Estado de S. Paulo/AC