Brasil teve 1,9 milhão de empregos criados em 2011, uma queda de 23%

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    Só em dezembro, foram fechados 408 mil postos de trabalho no país

    Eliane Oliveira elianeo@bsb.oglobo.com.br

    BRASÍLIA e SÃO PAULO. O número de empregos com carteira assinada criados no país em 2011 caiu 23,5% em comparação a 2010, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho. Foram abertas 1,944 milhão de vagas formais, contra 2,54 milhões de novos postos contabilizados em 2010. O setor que mais perdeu vagas foi o da indústria de transformação, que recuou 146.004 postos, seguido pelo de serviços, que caiu 84.096.

    A desaceleração foi ainda mais evidente no mês passado, com o fechamento de 408.172 postos de trabalho, queda de 1,08% em relação a dezembro de 2010. O recuo foi justificado pelo ministro interino do Trabalho, Paulo Roberto Pinto, em nota, com a entressafra agrícola, o término do ciclo escolar, o esgotamento da bolha de consumo no fim do ano e fatores climáticos. Os únicos setores que empregaram foram o financeiro, o médico-odontológico e o mineral.

    Apesar da queda no acumulado do ano, o resultado foi o segundo melhor da série histórica do Caged, menor apenas que o de 2010, quando foram criados 2.543.177 postos. No período, os estados que mais geraram postos de trabalho com carteira assinada foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, com foco em serviços, comércio e construção civil, principalmente. De acordo com nota do Ministério do Trabalho, a expectativa para 2012 é bem mais favorável, com incremento em torno de dois milhões de empregos formais até o fim do ano.

    O resultado de dezembro ficou abaixo do esperado pelos economistas.

    – Esperávamos um fechamento de cerca de 360 mil vagas em dezembro, porque no ano passado a indústria contratou menos trabalhadores temporários. O aumento das demissões pode indicar que houve fechamento de postos de trabalho efetivos no período – diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

    Para este ano, a Tendências Consultoria Integrada espera um arrefecimento do mercado, com a criação de 1,1 milhão de postos de trabalho, sem contar as declarações entregues com atraso.

    – O desempenho nos últimos meses de 2011 deve desacelerar, respondendo à defasagem da atividade econômica – diz Rafael Bacciotti, economista da Tendências.

    O saldo pode ser menor que no ano passado mesmo em caso de recuperação econômica, diz Eduardo Zylberstajn, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Isso porque a criação de vagas depende não apenas da demanda, mas também da oferta.

    – Chegamos a um ponto em que cada vez menos gente está procurando emprego. Há falta de mão de obra e em determinados postos não têm como ser preenchidos – afirma.

    COLABOROU: Paulo Justus

    O Globo/AC