Bonança beneficia base da pirâmide, mas não para sempre

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Análise: Claudio Frischtak

    A economia brasileira está numa fase virtuosa.

    O que primeiro chama a atenção é que, enquanto a economia vem crescendo moderadamente, o desemprego vem caindo de forma acentuada, apesar de os níveis de desocupação já serem bastante baixos. E, ao longo de 2011, algo mais inusitado aconteceu: na medida em que a economia desacelerava, paralelamente a taxa de desemprego, após um aumento no início do ano, se estabilizou e voltou a cair com força. A expansão mais modesta da população economicamente ativa explica em parte o fenômeno, mas seu ritmo mais moderado de crescimento reflete a própria melhora do mercado de trabalho, com as famílias podendo adiar a (re)entrada de alguns de seus membros (jovens, mães) no mercado.

    Segundo, a criação de emprego está se dando na base da pirâmide. Em 2011, os grandes responsáveis pelo saldo de quase dois milhões de empregos foram os serviços, comércio e construção.

    Nesses setores, os rendimentos cresceram de forma acentuada para as categorias que historicamente foram penalizadas.

    Como se explica esse comportamento? A estabilização e a queda dos juros abriram espaço para a expansão do crédito ao consumidor, que potencializou os ganhos salariais da década passada e o dinamismo do mercado doméstico. A ascensão da classe C gerou demandas por serviços à medida que se satisfaziam as necessidades de bens duráveis.

    A expansão do crédito imobiliário, combinado a programas de governo, levou a um boom sem precedentes na construção civil, enquanto a construção pesada vem sendo impulsionada por investimentos públicos e privados. São atividades intensivas em trabalho. Essa bonança não vai durar para sempre. Deve ser aproveitada para que se melhore a qualificação dos trabalhadores, por meio de maiores investimentos em educação e treinamento, gerando ganhos de produtividade, empregos de melhor qualidade e redução da informalidade. Assim a atual fase poderá se transformar numa trajetória sustentável

    PRESIDENTE DA INTER B. CONSULTORIA, EX-ECONOMISTA DO BANCO MUNDIAL

    O Estado de S. Paulo/AC



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