Baixa qualificação é principal entrave para o emprego na construção civil

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  • Postado em 26 de janeiro, 2012


    Segundo pesquisa da CNI, situação da mão de obra em 2011 incomodou mais os empresários do que a elevada carga tributária

    Rafael Abrantes

    A falta de mão de obra qualificada foi o principal problema enfrentado pelo setor de construção civil no país em 2011. É o que revela sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada ontem. O grau de dificuldade com o nível técnico do trabalhador brasileiro foi semelhante e liderou as preocupações tanto de pequenas, médias e grandes empresas, quanto dos segmentos de construção de prédios, obras de infraestrutura e serviços especializados – e superando até as reclamações do setor com a elevada carga tributária, inimiga histórica da iniciativa privada.

    Na avaliação das grandes empresas (com mais de 499 funcionários), por exemplo, a falta de qualificação foi destacada como o maior obstáculo por 68,1% dos entrevistados durante o quarto trimestre do ano passado.

    No terceiro trimestre, essa avaliação correspondia a 48,8% das respostas dos empresários.

    O número de empregados na construção também caiu pelo segundo mês consecutivo em dezembro. Segundo a CNI, o indicador para o mercado de trabalho ficou em 48 pontos, ante 50,4 em outubro. De acordo com a metodologia da pesquisa, valores acima de 50 pontos indicam elevação do número de postos de trabalho, abaixo disso, o contrário. Com este resultado, as pequenas empresas foram as que mais sentiram a redução de empregos em dezembro (44,4 pontos), além do setor de obras de infraestrutura (46,1).

    Os dados mais tímidos de emprego acompanharam a desaceleração das atividades de construção observada no país durante boa parte de 2011. Entre agosto e dezembro, revela a pesquisa, o nível de atividade em relação ao usual de cada mês ficou abaixo dos 50 pontos – com 49,1 no mês passado.Em dezembro de 2010, era de 54,7 pontos.

    Para Danilo Garcia, analista da CNI, o forte desempenho da indústria de construção em 2010 – com níveis de atividade superiores a 50 pontos nos doze meses-explica, em parte, o desaquecimento visto no ano passado.”A queda (recente) devese à forte expansão observada em 2010, um ano atípico. Já o ano passado foi marcado pela estabilidade do setor, que agora está se adaptando a umcenário de desaquecimento.”

    Garcia acredita que os últimos dados de novembro e dezembro podem significar o início de uma recuperação do setor.No entanto, ele é cauteloso em prever uma repetição do ritmo de construções registrados dois anos atrás. Ainda sobre o nível de atividade, mas na comparação mês a mês, as obras de infraestrutura foram as que mais recuaram entre novembro e dezembro.”O setor de infraestrutura depende de gastos do poder público, que foram revistos neste primeiro ano de governo ou não foram realizados”, diz.

    Além das dificuldades com a qualificação, o custo da mão de obra disponível atualmente também preocupa, gradativamente, os empresários da construção.Isto está mais evidente para os de médio porte. Entre o quarto trimestre de 2009 e o mesmo período em 2011, a reclamação com contratações mais caras subiu de 9,8% para 31,4% das respostas. Apesar dos diversos entraves, a expectativa dos empresários para os próximos seis meses segue positiva sobre o número de empregados, com 59,1 pontos em janeiro-terceira elevação consecutiva. O otimismo é ainda maior sobre o nível de atividade (59,4) no primeiro semestre deste ano.

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    “A queda (de atividade)deve-se à forte expansão de 2010, um ano atípico.Já o ano passado foi marcado pela estabilidade do setor, que agora se adapta a um cenário de desaquecimento

    Danilo Garcia Analista da CNI

    Brasil Econômico/AC



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