Após medidas, rial perde 50% do valor

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  • Postado em 23 de janeiro, 2012


    » Renata Tranches

    A decisão da União Europeia (UE) de impor um embargo inédito ao petróleo do Irã teve como consequência a forte queda da moeda do país, o rial, que se desvalorizou frente ao dólar e às divisas estrangeiras no mercado paralelo. Em um ano, o rial já perdeu 50% de seu valor em decorrência das severas sanções financeiras internacionais impostas em 2010 pelos países ocidentais, que começam a asfixiar a economia persa.

    Segundo a agência oficial Irna, ontem o dólar americano era cotado a 20.500 riais (no paralelo) apesar de o Banco Centrar ter declarado “ilegal” qualquer transação fora dos circuitos bancários oficiais, onde o câmbio está fixado a 14 mil riais. Na quarta-feira da semana passada, a moeda persa era negociada a 18 mil por dólar. Por conta das sanções bancárias ocidentais, o Irã – segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) – tem tido dificuldades para cobrar em divisas suas exportações petroleiras, que somaram mais de US$ 100 bilhões em 2011. O primeiro exportador da Opep é a Arábia Saudita.

    Nas horas que antecederam a aprovação do acordo de sanções, ontem, em Bruxelas, os líderes europeus intensificaram as negociações para convencer a Grécia a aderir ao embargo. Os gregos defendiam que as medidas entrassem em vigor no prazo de um ano e pediam garantias de que sua combalida economia não será afetada pelas medidas.

    A Grécia é a nação europeia mais dependente do petróleo iraniano, já que a República Islâmica não exige garantias financeiras em troca. Teerã vende cerca de 450 mil barris diários (cerca de 20% de suas exportações) à União Europeia, principalmente para a Itália, a Espanha e a Grécia.

    Para o diretor do Instituto para o Oriente Médio de Londres, o iraniano Hassan Hakimian, a república islâmica deverá procurar agora diversificar ao máximo seu mercado de petróleo. Há tempos, o país tem sofrido sanções do Ocidente, mas as impostas ontem, que preveem também o congelamento dos ativos do seu Banco Central, não têm precedentes. “Essas são muito mais abrangentes”, afirmou ao Correio.

    As possibilidades apontadas por Hakimian são os mercados da China, da Índia, da Turquia e até mesmo da Rússia. Moscou, inclusive, reagiu ontem contra o que chamou de “sanções unilaterais” ao Irã. “As sanções unilaterais não fazem as coisas avançarem”, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, citado pela agência Interfax. “Se o Conselho de Segurança das Nações Unidas já impôs sanções coletivas, todos devem respeitar esta decisão, sem acrescentar ou tirar nada”, acrescentou. A Rússia, que até agora aprovou quatro pacotes de sanções do Conselho de Segurança contra o Irã, divulgou que, assim como a China, seria contra novas penalidades. (RT)

    Correio Braziliense/AC