Ano começa fraco, mas promete mais atividade com cisões de empresas

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  • Postado em 22 de janeiro, 2012


    Fusões e Aquisições

    Bancos apostam que necessidade de expansão puxará negócios.

    Por Helen Thomas, de Londres, do Financial Times

    Feliz Ano Novo! Ou talvez não tão feliz aos dedicados a fechar negócios, que estão passando pelo início mais contido para um janeiro, em cerca de oito anos. É certo que estamos muito no início de 2012, mas os dirigentes dos bancos, que esperavam que o champanhe da festa lavaria as preocupações corporativas com a crise da zona do euro e com a recuperação da economia, se decepcionaram. Em vez disso, este ano começou em boa medida da maneira como o ano passado acabou: parado, incerto e com os fundamentos econômicos de uma recuperação na área de fusões e aquisições a postos, mas com pouco a mostrar.

    Os banqueiros estão apostando que sólidas demonstrações de resultados e a necessidade de crescer levarão as empresas, principalmente nos Estados Unidos, a agir rapidamente quando a crise da dívida da União Europeia (UE) estiver mais próxima de ser solucionada e quando a sombra da incerteza se dissipar.

    O que mais 2012 poderá trazer, no universo das fusões e aquisições? Em primeiro lugar, os desmembramentos corporativos se manterão na ordem do dia.

    O ano passado assistiu a uma enxurrada de empresas optando por vender ou desmembrar divisões discrepantes como unidades independentes, na tentativa de chegar a um novo foco corporativo. Essa tendência deverá persistir ou se acentuar ainda mais. A premência da cisão foi, até agora, capitaneada pelo setor de petróleo e gás, com empresas como a ConocoPhillips, a Marathon e outras optando por separar suas divisões de exploração e produção das de estocagem, transporte e comercialização, numa guinada fundamental de modelo de negócios.

    Agora, dizem assessores financeiros, as empresas de todos os setores, desde o de assistência médica até o de mídia, bem como as diferentes candidatas óbvias, estão avaliando se uma cisão é recomendável.

    Em segundo lugar, os acionistas ativistas terão muito o que fazer. A moda das cisões corporativas caiu do céu para os acionistas barulhentos que tentam se beneficiar de avaliações depreciadas. Pressionar por mais alavancagem, ou mesmo por uma venda, caiu em desgraça. Mas os ativistas vão continuar a conclamar as empresas a reexaminar a composição de sua carteira. Ao mesmo tempo, fazer lobby por melhorias de governança corporativa também está em alta. No entanto, um menor número de campanhas ativistas vai resultar em disputas declaradas de votos por procuração que visem substituir o conselho de administração da empresa pretendida.

    Contudo, argumentam os especialistas, os investidores vão examinar as propostas desses ativistas com um olhar mais cético.

    Em terceiro lugar, os que pretendem fechar negócios vão ficar mais agressivos. Na calmaria da realização de operações observada na virada do ano, foi digno de nota que duas situações hostis vieram a público. A Martin Marietta fez uma oferta não solicitada de US$ 4,7 bilhões pela concorrente de agregados para construção civil Vulcan Materials e na semana passada a Westlake Chemical divulgou sua oferta de US$ 1,1 bilhão pela compra de sua congênere Georgia Gulf.

    Esses não são os meganegócios pelos quais as empresas de assessoria aguardam. Mas sugerem, segundo os executivos dos bancos, que com a recuperação dos mercados haverá mais compradores potenciais do que vendedores. E os que veem a área de fusões e aquisições como estratégia decisiva, principalmente para proteger as empresas contra a longa penúria da lentidão econômica, podem não estar preparados para esperar.

    Análise elaborada pelo grupo de estratégia financeira do Citigroup apontou que as empresas que compraram em períodos de alta volatilidade do mercado viram o desempenho de suas ações superar a média em 18%, mais do que os compradores dos mercados mais calmos. A impaciência, então, pode ser recompensada.

    Em quarto lugar, a política antitruste vai ganhar mais corpo no pensamento dos potenciais compradores. O ano passado foi mais notável para os acordos que não aconteceram do que para os que cruzaram a linha de chegada. A audaciosa oferta da Nasdaq OMX pela compra da Nyse Euronext foi vetada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que, posteriormente, obstruiu o maior negócio do ano, barrando a parceria, de US$ 39 bilhões, entre a AT&T e a T-Mobile USA.

    Com o novo ano em curso, o negócio da Nyse com a Deutsche Börse parece ameaçado por causa dos reguladores europeus, e a compra da Medco pela Express Scripts, por US$ 29 bilhões, ainda não recebeu o beneplácito dos reguladores americanos. Uma consequência disso poderão ser taxas maiores e mais criativas por desistência de compra, concebidas para proteger uma vendedora do risco de que os reguladores barrem o acordo.

    Finalmente, a área de mineração e recursos naturais vai continuar a dominar. A luta por recursos naturais tornou as áreas de energia, mineração e infraestrutura pública os setores mais movimentados do ano passado, segundo a Mergermarket, com mais de 25% do volume total de acordos.

    Deve-se esperar a continuidade dessa tendência, com os departamentos de petróleo e gás dos bancos investimentos entre os poucos a trabalhar 24 horas por dia no início de 2012. Pesquisa com cem diretores financeiros de empresas americanas do setor, feita pela consultoria BDO, detectou que mais de metade previu um aumento das fusões e aquisições. Por outro lado, os preços das ações das mineradoras, especialmente as focadas em metais como ouro, se descolaram da alta dos preç os das commodities, criando oportunidades de compra.

    Valor Econômico/AC