Alugar escritório de luxo é mais fácil em NY

  • Português
  • English
  • Postado em 21 de janeiro, 2012


    FLÁVIA FOREQUE

    Sheila D’Amorim

    Achar sala comercial de alto padrão em São Paulo dá mais trabalho do que buscar espaço similar na principal cidade dos EUA

    No Brasil, demanda aumenta e tende a se espalhar para outras regiões; Estados Unidos se ressentem da crise

    Pesquisa da consultoria Jones Lang LaSalle mostra que a taxa de vacância de escritórios tipo A- o segundo na escada de qualidade- em São Paulo, a maior metrópole brasileira, é metade da verificada em Nova York.

    Dos 2,6 milhões de metros quadrados de escritórios com essa característica na capital paulista, 6% estão vagos.

    Na cidade norte-americana, o percentual é de 12% -de um total de 22,2 milhões de metros quadrados.

    “A gente vive um momento fora da curva”, afirma Luiz Lessa, sócio da consultoria, ao comentar a crescente demanda por esse tipo de escritório no Brasil. Os dados se referem ao primeiro semestre do ano passado.

    Para Lessa, o processo de “internacionalização” do país, com empresas estrangeiras chegando ou ampliando negócios, tende a continuar nos próximos anos. Isso deve ser impulsionado ainda mais com a realização de eventos esportivos, como a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

    Enquanto isso, o mercado de Nova York ainda não se recuperou da crise de 2008. Mesmo sentindo esses efeitos, manter um escritório de luxo naquela cidade continua mais caro. O preço do metro quadrado na metrópole norte-americana é cerca de 10% mais elevado do que em São Paulo: US$ 47 por mês, ante US$ 43 no Brasil.

    “O mercado brasileiro de escritórios é relativamente pequeno em comparação ao tamanho do país e ao porte da economia”, dizem os pesquisadores. Isso tem puxado os preços para cima e feito com que os valores se aproximem dos de Nova York.

    Segundo definição da empresa, a classificação do escritório em A ou AA considera aspectos como localização, itens de segurança e distribuição do espaço.

    Prédios nas avenidas Luís Carlos Berrini (zona sul) e Brigadeiro Faria Lima (zona oeste), na Vila Olímpia (zona oeste) e em Alphaville (na Grande São Paulo) têm os preços mais elevados da metrópole. Segundo a pesquisa, 80% das unidades de luxo do Brasil estão localizadas em São Paulo (60%) e no Rio (20%).

    DESCENTRALIZAÇÃO

    Especialistas apontam, no entanto, o início de um movimento de descentralização por causa de novos empreendimentos fora desse eixo.

    É o caso do complexo industrial e portuário de Suape, a 60 km do Recife, onde se espera aporte de mais de R$ 20 bilhões até 2014.

    Os setores de comércio e serviços eram a base da economia de Pernambuco. Mas, nos últimos anos, a indústria ganhou força. “O que aconteceu foi a chegada de novos setores à economia do Estado”, diz Luís Henrique Valverde, diretor de incorporação imobiliária da Odebrecht.

    No fim de 2011, a construtora iniciou a venda de escritórios de alto padrão em três torres empresariais lançadas pela companhia.

    É a primeira fase de um complexo nos arredores do porto, com investimento de R$ 450 milhões.

    Em três meses, todas as 557 unidades foram vendidas. Segundo Valverde, o empreendimento foi idealizado para atender empresários que chegam a Pernambuco.

    A instalação de uma fábrica da Fiat no Estado também é motivo de otimismo. “Certamente haverá demanda por escritórios”, diz Carol Boxwell, superintendente comercial da Queiroz Galvão.

    Folha de S. Paulo/AC



    Rio Negócios Newsletter

    Cadastre-se e receba mensalmente as principais novidades em seu email

    Quero receber o Newsletter